Crônicas contemporâneas

 

O gênero da crônica, entendida como um texto curto de periódico, que se aplica sobre um acontecimento pessoal, um fato do dia, uma lembrança, um lance narrativo, uma reflexão, tem movido escritores e leitores desde os primeiros periódicos. No pequeno espaço de uma crônica pode caber muito, a depender do cronista. Se ele se chamar Rubem Braga, pode caber tudo: esse mestre maior dotou a crônica de uma altura tal que pôde dedicar-se exclusivamente a ele ocupando um lugar entre os nossos maiores escritores, de qualquer gênero.

Jovens cronistas de hoje, com colunas nos grandes jornais, vêm demonstrando muita garra, equilibrando-se entre as miudezas quase inconfessáveis do cotidiano pessoal, às quais se apegam sem pudor, e a uma espécie de investigação crítica que pretende ver nelas algo de grandioso. É como se na padaria da esquina pudesse de repente representar-se uma cena de Hamlet ou de alguma tragédia grega; é como se, no banheiro do apartamento, o espelhinho do armário pudesse revelar a imagem-síntese dos brasileiros. Talvez esteja nesse difícil equilíbrio um sinal dos tempos modernos, quando, como numa crônica, impõe-se combinar a condição mais pessoal de cada um com a responsabilidade de uma consciência coletivista, que a todos nos convoca.

 (Diógenes da Cruz, inédito)

 

01. Os jovens cronistas de hoje, referidos no segundo parágrafo.

a) distinguem-se dos cronistas antigos pelo fato de não considerarem os incidentes domésticos como assunto digno de uma crônica.

b) devem a Rubem Braga a orientação para se dedicarem exclusivamente ao gênero da crônica, uma vez que querem tratar de grandes temas universais.

c) preferem confinar na estreiteza do cotidiano seu espaço de inspiração, em crônicas em que exercitam uma linguagem de alto teor político.

d) buscam combinar seu interesse pela realidade pessoal e imediata com o voo mais alto de uma crônica de maior alcance crítico.

d)exploram a possibilidade de reduzir os temas mais grandiosos à dimensão risível de um cotidiano onde eles não possam ter lugar.

 

O Lado Negro do Facebook

Por Alexandre de Santi

 

O Facebook é, de longe, a maior rede da história da humanidade. Nunca existiu, antes, um lugar onde 1,4 bilhão de pessoas se reunissem. Metade de todas as pessoas com acesso à internet, no mundo, entra no Facebook pelo menos uma vez por mês. Em suma: é o meio de comunicação mais poderoso do nosso tempo, e tem mais alcance do que qualquer coisa que já tenha existido. A maior parte das pessoas o adora, não consegue conceber a vida sem ele. Também pudera: o Facebook é ótimo. Nos aproxima dos nossos amigos, ajuda a conhecer gente nova e acompanhar o que está acontecendo nos nossos grupos sociais. Mas essa história também tem um lado ruim. Novos estudos estão mostrando que o uso frequente do Facebook nos torna mais impulsivos, mais narcisistas, mais desatentos e menos preocupados com os sentimentos dos outros. E, de quebra, mais infelizes.

No ano passado, pesquisadores das universidades de Michigan e de Leuven (Bélgica) recrutaram 82 usuários do Facebook. O estudo mostrou uma relação direta: quanto mais tempo a pessoa passava na rede social, mais infeliz ficava. Os cientistas não sabem explicar o porquê, mas uma de suas hipóteses é a chamada inveja subliminar, que surge sem que a gente perceba conscientemente. Já deve ter acontecido com você. Sabe quando você está no trabalho, e dois ou três amigos postam fotos de viagem? Você tem a sensação de que todo mundo está de férias, ou que seus amigos viajam muito mais do que você. E fica se sentindo um fracassado. “Como as pessoas tendem a mostrar só as coisas boas no Facebook, achamos que aquilo reflete a totalidade da vida delas”, diz o psiquiatra Daniel Spritzer, mestre pela UFRGS e coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas. “A pessoa não vê o quanto aquele amigo trabalhou para conseguir tirar as férias”, diz Spritzer.

E a vida em rede pode ter um efeito psicológico ainda mais assustador. Durante 30 anos, pesquisadores da Universidade de Michigan aplicaram testes de personalidade a 14 mil universitários. O resultado: os jovens da geração atual, que cresceram usando a internet, têm 40% menos empatia que os jovens de três décadas atrás. A explicação disso, segundo o estudo, é que na vida online fica fácil ignorar as pessoas quando não queremos ouvir seus problemas ou críticas – e, com o tempo, esse comportamento indiferente acaba sendo adotado também na vida offline.

Num meio competitivo, onde precisamos mostrar como estamos felizes o tempo todo, há pouco incentivo para diminuir o ritmo e prestar atenção em alguém que precisa de ajuda. Há muito espaço, por outro lado, para o egocentrismo. Em 2012, um estudo da Universidade de Illinois com 292 voluntários concluiu que, quanto mais amigos no Facebook uma pessoa tem, e maior a frequência com que ela posta, mais narcisista tende a ser – e maior a chance de fazer comentários agressivos.

Esse último resultado é bem surpreendente, porque é contraintuitivo. Ora, uma pessoa que tem muitos amigos supostamente os conquistou adotando comportamentos positivos, como modéstia e empatia. O estudo mostra que, no Facebook, tende a ser justamente o contrário.

Adaptado de Superinteressante. Disponível em:

http://super.abril. com.br/tecnologia/o-lado-negro-do-facebook/

 

02. De acordo com o texto, é correto afirmar que

a) o comportamento de indiferença é mais comum entre os jovens.

b) pessoas empáticas na vida real também tendem a ser empáticas no Facebook.

c) a infelicidade é proporcional ao tempo que o usuário utiliza o Facebook.

d) quanto mais amigos a pessoa tem no Facebook menos comentários agressivos ela tende a fazer.

e) as redes sociais trouxeram apenas malefícios aos seus usuários.

03. Considerando o gênero textual do texto de apoio, o uso das aspas duplas no segundo parágrafo indica que o produtor 

a) desconhece a voz do sujeito que escreveu a informação citada, mas deve relatá-la com a maior fidelidade e objetividade possível, recurso comum em Notícias. 

b) utiliza uma estratégia discursiva para criticar o fato de as pessoas apenas postarem aspectos positivos de sua vida, de modo a dar ao leitor uma visão múltipla e consistente dos fatos relatados, característica comum em Artigos de Opinião.

c) expressa ironicamente seu pensamento pessoal em relação às informações, de modo a persuadir e sensibilizar o leitor, característica comum a Reportagens. 

d) organiza as informações, segundo o ponto de vista de um locutor não onisciente, demarcando não ser responsável pelo discurso citado, recurso comum em Artigos de Opinião.

e) demarca uma outra voz que não a sua, a qual pode ser reproduzida na íntegra ou em parte, para produzir um efeito de credibilidade e objetividade, recurso comum em Reportagens.

04. Considere o excerto: “A pessoa que tem muitos amigos supostamente os conquistou adotando comportamentos positivos, como modéstia e EMPATIA.” De acordo com o contexto, o sentido do elemento destacado pode ser adequadamente entendido como

a) apatia.

b) indiferença.

c) alteridade.

d) moderação.

e) singeleza.

05. Assinale a alternativa em que a expressão destacada esteja sendo utilizada em seu sentido denotativo.

a) “Esse comportamento indiferente acaba sendo adotado também na VIDA OFFLINE”.

b) “LADO NEGRO do Facebook”.

c) “E a VIDA EM REDE pode ter um efeito psicológico ainda mais assustador”.

d) “Seus amigos VIAJAM MUITO MAIS do que você”.

e) “Há pouco incentivo para DIMINUIR O RITMO”

06. Metade de todas as pessoas com acesso à “internet”, no mundo, entra” no Facebook” pelo menos uma vez por mês. Em suma: é “o meio de comunicação” mais poderoso do nosso tempo, e tem mais alcance do que qualquer coisa que já tenha existido.” A maior parte das pessoas” o adora.

 

Nesse segmento do texto, o termo ou expressão em destaque que se refere a um outro termo anterior, estabelecendo a coesão textual, é

a) “Internet”.

b) “o Facebook”

c) “o meio de comunicação”.

d) “o nosso tempo”.

e) “a maior parte das pessoas”.

07. Em “Os cientistas não sabem explicar o porquê”, a palavra destacada é assim escrita, pois:

a) está sendo usada como substantivo, significando “motivo”.

b) está sendo utilizada para introduzir uma causa ou explicação.

c) funciona como pronome relativo, equivalente a “por qual razão”.

d) introduz frase interrogativa.

e) está sendo utilizada em final de frase.

08. O termo destacado em “uma de suas hipóteses é a chamada inveja subliminar, QUE surge sem que a gente perceba conscientemente”, no contexto, é

a) partícula expletiva.

b) conjunção integrante.

c) conjunção subordinativa causal.

d) conjunção subordinativa consecutiva.

e) pronome relativo.

09. Assinale a alternativa em que NÃO ocorre derivação sufixal.

a) Poderoso.

b) Reunissem.

c) Supostamente.

d) Justamente.

e) Humanidade.

10. Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) No trecho “O resultado: os jovens da geração atual, que cresceram usando a internet, têm 40% menos empatia que os jovens de três décadas atrás.”, a forma verbal “têm” está no plural para concordar com “os jovens de três décadas atrás”.

( ) As palavras “Bélgica” e “psicológico” acentuam-se devido à mesma regra.

( ) Em “Há muito espaço, por outro lado, para o egocentrismo”, o verbo “há” está acentuado por ser um monossílabo tônico terminado em -a.

( ) Em “os jovens de três décadas atrás”, as palavras “três” e “atrás” acentuam-se por serem oxítonas.

 

a) V – V – V – V.

b) F – V – V – F.

c) F – F – V – V

d) V – F – F – V.

e) F – V – F – F.