Texto para as questões de 1 a 3
A origem da continência militar

 

1 Fruto de uma sociedade isolada e que temia as
2 terríveis invasões bárbaras, o cavaleiro era um dos mais
3 notórios integrantes do mundo feudal. Dedicado ao uso das

4 armas e à proteção de propriedades, o cavaleiro deveria honrar

5 sua posição mostrando pronta disposição para participar de

6 uma luta ou defender as terras de seu senhor. Mais do que pela

7 bravura e pelo poder bélico, esse intrigante personagem

8 medieval distinguia-se por uma série de rituais que

9 reafirmavam sua condição.

10 Segundo alguns historiadores, para assinalar suas

11origens, os cavaleiros se singularizavam por símbolos,

12 acessórios e gestos. Esse é o momento que nos permite sugerir

13 uma resposta acerca da gênese das saudações militares. Na

14 Idade Média, quando passava por membro de mesma condição,

15 o cavaleiro costumava levantar o visor de seu elmo em sinal de

16 respeito e amizade. Ao olhar diretamente para o outro, buscava

17 reafirmar a partilha de habilidades e valores com ele.

18 Em relatos diferentes, é descrito outro ritual que
19  também pode ser visto como um precursor da continência
20 militar. Quando se apresentava para o seu superior, o cavaleiro
21 segurava a rédea de seu cavalo com a mão esquerda e
22  levantava a mão direita para demonstrar que estava pronto para
23 participar de um combate. Muito provavelmente, devido ao
24 desconforto que a armadura causava ao cavaleiro quando fazia
25 esse movimento, este foi sendo simplificado até se resumir a
26 saudação ao gesto de se levar a mão à cabeça. Ao longo da
27 formação das monarquias nacionais, entre o final da Idade
28 Média e o início da Idade Moderna, essas saudações foram
29 mantidas como meio de indicar a subordinação à hierarquia
30 militar organizada no interior dos exércitos.
Internet: <guerras.brasilescola.com> (com adaptações)

 

01. Com relação à continência militar, depreende-se do texto que: 
a) o movimento surgiu quando os cavaleiros começaram a usar elmos.
b) sua origem está sujeita a interpretações diversas.
c) sua gênese remonta aos exércitos da Idade Moderna.
d) o gesto começou a ser empregado após o fim do uso das armaduras medievais.
e) os senhores feudais a exigiam das tropas sob seu comando.

02. A correção gramatical e os sentidos originais do texto seriam preservados caso o trecho “buscava reafirmar a partilha de
habilidades e valores com ele” (R.16-17) fosse substituído por:
a) almejava fortalecer-se na divisão de bens e riquezas com ele.
b) empenhava-se em fazer valer sua maestria e coragem diante dele.
c) esforçava-se para disputar capacidades e adestramento com ele.
d) procuravam afirmar de novo o respeito e a amizade entre eles.
e) pretendia confirmar a comunhão de destrezas e princípios com
ele.

03. Em cada uma das opções abaixo, são apresentados um trecho destacado do texto e uma proposta de reescrita correspondente.
Assinale a opção em que a reescrita preserva a correção gramatical e os sentidos originais do texto.
a) “esse intrigante personagem” (R.7) – essa intrépida personagem
b) “outro ritual que também pode ser visto” (R.18-19) – outro ritual que também se pode ver
c) “que temia as terríveis invasões bárbaras” (R.1-2) – temerário às terríveis invasões bárbaras
d) “o cavaleiro era um dos mais notórios integrantes” (R.2-3) – o cavaleiro era mais que notório integrante
e) “Dedicado ao uso das armas” (R.3-4) – Devotados ao uso dos armamentos

O soldado passou desatento pelo capitão e não o cumprimentou da maneira correta. Imediatamente o oficial chamou aos berros a atenção do soldado e exigiu que ele lhe prestasse continência cinquenta vezes seguidas. Dessa maneira — acreditava o capitão — ele aprenderia a lição e não cometeria novamente esse ato de insubordinação. E assim fez o soldado, seguidamente movimentando seu braço direito enquanto o capitão realizava a contagem. Um pouco mais afastado, um coronel observava tranquilamente o desfecho da cena. Ao final das cinquenta continências, é o coronel quem intervém:

— Capitão, vi que o soldado prestou cinquenta continências para o senhor. Pois bem, é seu dever retribuí-las. Internet: <www.diariodeumpm.net>

04. Na anedota acima, o humor é provocado pelo fato de
a) o coronel ter observado o desfecho da cena tranquilamente.
b) o soldado ter passado desatento pelo capitão e não lhe ter prestado continência.
c) o capitão não ter percebido que um coronel observava o cumprimento da pena pelo soldado.
d) a repreensão ao soldado ter sido dada por militar de patente inferior.
e) o capitão ter aplicado em um subordinado uma repreensão e, ao ser flagrado por um superior, ter sido também repreendido

O Vidigal

1 O som daquela voz que dissera “abra a porta” lançara

2 entre eles o espanto e o medo. E não foi sem razão; era ela o

3 anúncio de um grande aperto, de que por certo não poderiam

4 escapar. Nesse tempo ainda não estava organizada a polícia da

5 cidade, ou antes, estava-o de um modo em harmonia com as

6 tendências e ideias da época. O major Vidigal era o rei

7 absoluto, o árbitro supremo de tudo que dizia respeito a esse

8 ramo de administração; era o juiz que julgava e distribuía a

9 pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos

10 criminosos; nas causas da sua imensa alçada não havia

11 testemunhas, nem provas, nem razões, nem processo; ele

12 resumia tudo em si; a sua justiça era infalível; não havia

13 apelação das sentenças que dava, fazia o que queria, e ninguém

14 lhe tomava contas. Exercia enfim uma espécie de inquirição

15 policial. Entretanto, façamos-lhe justiça, dados os descontos

16 necessários às ideias do tempo, em verdade não abusava ele

17 muito de seu poder, e o empregava, em certos casos, muito

18 bem empregado.

19 Era o Vidigal um homem alto, não muito gordo, com

20 ares de moleirão; tinha o olhar sempre baixo, os movimentos

21 lentos, e voz descansada e adocicada. Apesar deste aspecto de

22 mansidão, não se encontraria por certo homem mais apto para

23 o seu cargo, exercido do modo que acabamos de indicar.

05. Assinale a opção correta em relação ao texto.
a) Quem conta a história é o próprio major Vidigal, orgulhando se de sua valentia.
b) O narrador não manifesta opinião nem faz comentário a respeito do personagem Vidigal.
c) A cena descrita inicia-se com o major Vidigal batendo à porta e termina com a entrada dele no recinto.
d) O segundo parágrafo restringe-se a tratar de aspectos da personalidade do major.
e)  No texto, a descrição é predominante e foca tanto o modo como o major Vidigal exercia o seu poder quanto suas
características físicas.


06. A respeito de elementos linguísticos do texto, assinale a opção
correta.
a) No trecho “dizia respeito a esse ramo de administração” (R.7-8), o substantivo “ramo” tem o sentido de parte, razão por
que seria correta a seguinte reescrita desse trecho: dizia respeito à essa parte de administração.
b) Em “façamos-lhe” (R.15) e “o empregava” (R.17), os pronomes referem-se ao major Vidigal.
c) Em “era ela o anúncio de um grande aperto” (R.2-3), o pronome “ela” refere-se à palavra ‘porta’ (R.1).
d) Ao empregar a expressão “ou antes” (R.5), o autor anuncia que vai tratar do passado.
e) No terceiro período do texto, o segmento “estava-o” (R.5) equivale a estava organizada.


07. Em cada uma das opções a seguir, há uma frase reproduzida, com adaptações, de exemplos apresentados, na Enciclopédia Delta Larousse, para diversos usos e acepções do verbete Guerra. Assinale a opção que apresenta a frase gramaticalmente correta.
a) Terremotos e inundações acontecem à toda humanidade, mas é o homem mesmo quem faz a guerra.
b) Qualquer luta em que dois grandes grupos tentam conquistar ou destruir um ao outro é uma guerra.
c) Nos tempos modernos, tem sido travado guerras entre nações e grupos de nações.
d) Antigamente, a força dos exércitos e das esquadras eram praticamente o único fator determinante para o resultado das
guerras.
e) A maioria das pessoas odeia a guerra, mas mesmo assim a séculos houveram guerras em alguma parte do mundo.

 

1 Um mito recorrente sobre a Independência do Brasil

2 diz respeito ao caráter pacífico da ruptura com Portugal. De

3 acordo com essa visão, tudo teria se resumido a uma

4 negociação entre o rei D. João VI e seu filho D. Pedro, com

5 algumas escaramuças isoladas e praticamente sem vítimas. É

6 um erro. A guerra da independência foi longa e desgastante.

7 Durou 21 meses, entre fevereiro de 1822 e novembro do ano

8 seguinte. Nesse período, milhares de pessoas perderam a vida

9 em roças, morros, mares e rios em que se travou o conflito.

10 Devido à demora nas comunicações com a Europa, a

11 guerra, nos primeiros meses, envolveu um jogo de esconde

12 esconde, repleto de boatos, em que nenhum dos lados sabia

13 exatamente o que o adversário planejava nem quais eram as

14 forças de que dispunha. A única certeza era que tanto Portugal

15 quanto o Brasil encontravam-se em estado de penúria, com os

16 cofres públicos vazios e sem dinheiro para contratar e pagar

17 oficiais e soldados, comprar armas e munições e sustentar um

18 conflito que exigia esforços em dois hemisférios. Nesse

19 confronto de esfarrapados, porém, Portugal tinha de início uma

20 vantagem: era um país centenário, organizado e reconhecido

21 pelos seus vizinhos europeus, que lhe poderiam hipotecar

22 apoio político ou ceder empréstimos. Essa organização se

23 estendia sobre o Brasil, cujas Forças Armadas — mesmo

24 precárias — ainda eram portuguesas até as vésperas da

25 Independência. Toda a linha de comando, composta em sua

26 maioria por oficiais nascidos em Portugal, respondia às ordens

27 de Lisboa. O Brasil, ao contrário, começava tudo do zero. Até

28 1822, não tinha Exército nem Marinha de Guerra. O próprio
29 governo, que acabara de se constituir com José Bonifácio à
30 frente do ministério, funcionava de forma desorganizada e
31 improvisada. As ordens do Rio de Janeiro não eram acatadas
32 pela maioria das províncias, ainda fiéis a Portugal. Sem
33 reconhecimento internacional, as perspectivas de apoio
34 diplomático eram nulas. Empréstimos, só a juros escorchantes.

08. Considerando os sentidos e estruturas linguísticas do texto, assinale a opção correta.
a) Ao empregar a expressão “em dois hemisférios” (R.18), o autor emprega linguagem figurada para se referir à abrangência da guerra da Independência.
b) A supressão da vírgula empregada logo após “comando” (R.25) manteria a correção gramatical do texto.
c) Mantendo-se o sentido original do texto, o trecho “As ordens do Rio de Janeiro não eram acatadas pela maioria das
províncias” (R.31-32) poderia ser corretamente reescrito da seguinte forma: O Rio de Janeiro não acatava as ordens da
maioria das províncias.
d) A expressão “mito recorrente” (R.1) significa, no texto, boato ou uma falsa notícia que se difunde rapidamente entre o povo.
e) A ideia expressa em “A guerra da independência (...) em que se travou o conflito” (R.6-9) contrapõe-se à ideia expressa em “caráter pacífico da ruptura com Portugal” (R.2).


09. Assinale a opção que apresenta reescrita gramaticalmente correta para o seguinte trecho do texto: “nenhum dos lados sabia exatamente o que o adversário planejava nem quais eram as forças de que dispunha” (R.12-14).
a) nem um nem outro país sabia o que o oponente planejava nem o potencial bélico de que dispunha
b) ambos os países não sabia aquilo que o outro planejava nem qual era o arsenal militar de que dispunha
c) cada um dos lados não sabiam o que os dois planejavam nem qual era os armamentos de que dispunham
d) nenhum dos dois lados tinha conhecimento daquilo que planejavam Portugal e o Brasil nem o que era o potencial
bélico que dispunham

e) um e outro países não tinham conhecimento do que o adversário planejava nem quais eram o efetivo de que dispunham

10. Em relação às estruturas linguísticas do texto, assinale a opção correta.
a) Sem prejuízo para a correção gramatical e para os sentidos do texto, “o conflito” (R.9) poderia ser
substituído por a discussão.
b) A substituição da expressão “de forma desorganizada e improvisada” (R.30-31) por desorganizada e
improvisadamente manteria a correção gramatical do texto.
c) Sem alteração dos sentidos nem da correção gramatical do texto, a expressão “nos primeiros meses” (R.11)
poderia ser deslocada para o final do período, com a devida supressão das vírgulas que a isolam.
d) O pronome “que”, no trecho “em que se travou o conflito” (R.9), retoma “Nesse período” (R.8).
e) O conectivo “porém” (R.19) poderia ser corretamente substituído por pois