Quem assiste a “Tempo de Amar” já reparou no português extremamente culto e correto que é falado pelos personagens da novela. Com frases que parecem retiradas de um romance antigo, mesmo nos momentos mais banais, os personagens se expressam de maneira correta e erudita.

      Ao UOL, o autor da novela, Alcides Nogueira, diz que o linguajar de seus personagens é um ponto que leva a novela a se destacar. “Não tenho nada contra a linguagem coloquial, ao contrário. Acho que a língua deve ser viva e usada em sintonia com o nosso tempo. Mas colocar um português bastante culto torna a narrativa mais coerente com a época da trama. Fora isso, é uma oportunidade de o público conhecer um pouco mais dessa sintaxe poucas vezes usada atualmente”.

      O escritor, que assina o texto da novela das 18h ao lado de Bia Corrêa do Lago, conta que a decisão de imprimir um português erudito à trama foi tomada por ele e apoiada pelo diretor artístico, Jayme Monjardim. Ele revela que toma diversos cuidados na hora de escrever o texto, utilizando, inclusive, o dicionário. “Muitas vezes é preciso recorrer às gramáticas. No início, o uso do coloquial era tentador. Aos poucos, a escrita foi ficando mais fácil”, afirma Nogueira, que também diz se inspirar em grandes escritores da literatura brasileira e portuguesa, como Machado de Assis e Eça de Queiroz.

      Para o autor, escutar os personagens falando dessa forma ajuda o público a mergulhar na época da trama de modo profundo e agradável. Compartilhou-lhe o sentimento Jayme Monjardim, que também explica que a estética delicada da novela foi pensada para casar com o texto. “É uma novela que se passa no fim dos anos 1920, então tudo foi pensado para que o público entrasse junto com a gente nesse túnel do tempo. Acho que isso é importante para que o telespectador consiga se sentir em outra época”, diz.

          (Guilherme Machado. UOL. https://tvefamosos.uol.com.br. 15.11.2017. Adaptado)

Considere as passagens:

 

• ... os personagens se expressam de maneira correta e erudita. (1° parágrafo)

• Compartilhou-lhe o sentimento Jayme Monjardim... (4° parágrafo)

• “... para que o telespectador consiga se sentir em outra época”... (4°parágrafo)

 

01. Os pronomes, em destaque, assumem nos enunciados, correta e respectivamente, os sentidos:

a) recíproco, possessivo e reflexivo.

b) recíproco, reflexivo e reflexivo.

c) reflexivo, possessivo e reflexivo.

d) reflexivo, demonstrativo e enfático.

e) reflexivo, enfático e possessivo.

 

02. Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão quanto às regras de regência e à ocorrência da crase.

a) Telejornais apresentam à população um resumo dos eventos que lhe despertaram interesse nas redes sociais.

b) Indivíduos são chamados à tirar suas conclusões sobre fatos que os são apresentados diariamente.

c) Cada vez mais têm chegado à mim frases das quais me fazem refletir sobre os valores da sociedade atual.

d) É inegável que às redes sociais influenciam o modo como interagimos com o mundo e o damos sentido.

e) Tem sido comum pessoas compartilharem informações de maneira instantânea, sem analisar-lhes à fundo.

 

03. Leia o texto para responder à questão.

“Tire suas próprias conclusões” 

Essa é a frase que mais tenho ouvido recentemente. Passada a euforia de uma notícia qualificada como “bomba”, logo os atores de uma das partes corriam a público para disponibilizar a íntegra daquilo que antes foi veiculado em partes.

É preciso saber de tudo e entender de tudo. É preciso tirar as próprias conclusões para não depender de ninguém, e é esse o grande e contraditório imperativo dos nossos tempos. É uma ordem a uma experimentação libertária, e uma quase contradição do termo. O imperativo que liberta também aprisiona: você só passa a ser, ou a pertencer, se tiver uma conclusão. Sobre qualquer coisa.

Nas últimas décadas psicanalistas se debruçaram sobre as mudanças nos arranjos produtivos e sociais de cada período histórico para compreender e nomear as formas de sofrimento decorrentes delas. A revolução industrial, a divisão social do trabalho, a urbanização desenfreada e as guerras, por exemplo, fizeram explodir o número de sujeitos impacientes, irritadiços e perturbados com a velocidade das transformações e suas consequentes perdas de referências simbólicas.

Pensando sobre o imperativo “Leia/Veja/Assista” e “Tire suas próprias conclusões”, começo a desconfiar de que estamos diante de uma nova forma de sofrimento relacionado a um mal-estar ainda não nomeado.

Afinal, que tipo de sujeito está surgindo de nossa nova organização social? O que a vida em rede diz sobre as formas como nos relacionamos com o mundo? Que tipos de valores surgem dali? E, finalmente, que tipo de sofrimento essa vida em rede tem causado?

Vou arriscar e sair correndo, já sob o risco de percorrer um campo que não é meu: estamos vendo surgir o sujeito preso à ideia da obrigação de ter algo a dizer. Ao longo dos séculos essa angústia era comum aos chamados formadores de opinião e artistas, responsáveis por reinterpretar o mundo. Hoje basta ter um celular com conexão 3G para ser chamado a opinar sobre qualquer coisa. Pensamos estar pensando mesmo quando estamos apenas terceirizando convicções ao compartilhar aquilo que não escrevemos.

É uma nova versão de um conflito descrito por Clarice Lispector a respeito da insuficiência da linguagem. Algo como: “Não só não consigo dizer o que penso como o que penso passa a ser o que digo”. Se vivesse nas redes que atribuem a ela frases que jamais disse, o “dizer” e o “pensar” teriam a interlocução de um outro verbo: “compartilhar”.

(Matheus Pichonelli, Carta Capital. 18.03.2016. www.cartacapital.com.br. Adaptado)


Considere o trecho: O imperativo que liberta também aprisiona: você só passa a ser, ou a pertencer, se tiver uma conclusão. Sobre qualquer coisa.

 

Respeitando-se as regras de regência nominal e preservando-se o sentido original, o vocábulo destacado pode ser substituído por

a) De acordo com

b) De encontro a

c) Acima de

d) Em virtude de

e) A respeito de

04. A passagem do texto que, após o acréscimo da vírgula, está de acordo com a norma-padrão é:

a) Essa é a frase que, mais tenho ouvido recentemente.

b) É preciso tirar as próprias conclusões, para não depender de ninguém…

c) Nas últimas décadas psicanalistas se debruçaram, sobre as mudanças nos arranjos produtivos e sociais de cada período histórico...

d) Ao longo dos séculos essa angústia era comum aos chamados, formadores de opinião e artistas, responsáveis por reinterpretar o mundo.

e) Hoje basta ter um celular com conexão 3G para ser chamado, a opinar sobre qualquer coisa.

 

05. No trecho – ... você só passa a ser, ou a pertencer, se tiver uma conclusão., os vocábulos você e se contêm, respectivamente, os seguintes sentidos:

a) especificação; limitação; concessão.

b) indeterminação; isolamento; modo.

c) identificação; condição; reciprocidade.

d) indefinição; restrição; condição.

e) apelo; ênfase; finalidade.

 

 

06. Assinale a alternativa em que a segunda expressão destacada denota, no contexto, um evento posterior ao designado pela primeira expressão destacada.

a) Passada a euforia de uma notícia qualificada como “bomba”, logo os atores de uma das partes corriam a público para disponibilizar a íntegra daquilo que antes foi veiculado em partes.

b) É preciso saber de tudo e entender de tudo.

c) O imperativo que liberta também aprisiona: você só passa a ser, ou a pertencer, se tiver uma conclusão.

d) Pensando sobre o imperativo “Leia/Veja/Assista” e “Tire suas próprias conclusões”, começo a desconfiar de que estamos diante de uma nova forma de sofrimento relacionado a um mal-estar ainda não nomeado.

e) O que a vida em rede diz sobre as formas como nos relacionamos com o mundo?

 

07. Da menção ao conflito descrito por Clarice Lispector, no último parágrafo, deduz-se o seguinte:

a) para o autor, Clarice Lispector estava equivocada ao ignorar a importância do “compartilhar” como intermediário entre o “dizer” e o “pensar”.

b) ao se exprimir com exatidão o pensamento, a insuficiência da linguagem é superada, ainda que provisoriamente.

c) quando o pensamento é traduzido em palavras, e essas palavras são partilhadas, exaltam-se os valores morais da sociedade.

d) não é possível expressar com exatidão o que pensamos, e nos iludimos ao crer que o que dizemos equivale ao que pensamos.

e) o “pensar” adquire valor a partir do momento em que encontra um equivalente no “dizer” e assume forma ao ser compartilhado.

 

08. No sexto parágrafo, o verbo pensar em “Pensamos estar pensando...” veicula, em cada ocorrência respectivamente, sentidos que equivalem a

a) rememorar e corroborar uma opinião.

b) refutar uma ideia e elucubrar.

c) induzir a erro e suscitar uma impressão.

d) fantasiar e agir com intransigência.

e) supor e conceber uma ideia.

 

09. No contexto do segundo parágrafo, a “experimentação libertária” refere-se

a) a uma pretensa liberdade de interpretação sem intermediários.

b) ao acesso aos canais de comunicação mais atualizados.

c) a uma característica peculiar às notícias impactantes.

d) à experiência de criar publicações que gerem controvérsia.

e) à liberdade que a imprensa tem de defender sua ideologia.

 

Leia o texto para responder à questão.

Karl Marx romancista e dramaturgo?

     É preciso levar a sério a filha de Marx, Eleanor, quando disse que seu pai “era o mais alegre e divertido de todos os homens”. Em outubro de 1837, com apenas dezenove anos, o jovem Karl compôs uma peça de teatro e um breve romance satírico, inacabados, nos quais ridiculariza e condena as convenções burguesas, o moralismo filisteu, a aristocracia e o pedantismo intelectual.

     Naquele ano, por indicação médica – pois adoecera por excesso de trabalho –, Marx deixou Berlim e estabeleceu-se, para repousar, em Stralow, uma vila de pescadores. Mas, em vez do descanso, optou por trabalhar intensamente. Foi nesse momento que escreveu as duas operetas contidas no livrinho que a Boitempo oferece agora aos leitores brasileiros: Escorpião e Félix e Oulanem.

     Essas pequenas obras remetem à atmosfera cultural da Alemanha no período posterior ao Congresso de Viena, com a rejeição romântica do classicismo e a grande difusão da obra de Laurence Sterne, principalmente do seu Tristram Shandy. Esse romance, publicado entre 1759 e 1767, cobre de ridículo os estereótipos literários então dominantes. É dessa fonte literária, além de pitadas de E. T. A. Hoffmann, que o jovem Karl bebe em seu romance Escorpião e Félix, dissolvendo os lugares comuns narrativos num divertido desprezo pela lisura formal do romance clássico. Já Oulanem é um drama fantástico em versos, um suspense gótico. Na criação desse poema-tragédia, ambientado numa aldeia na Itália, o jovem filósofo estava sob a influência dominante de Goethe e, sob essa luz, delineava sua visão da história e sua ideia de que o mundo precisava ser completamente revolucionado.

Esse Karl ainda não é o Marx que conhecemos melhor, mas são claros os indícios do futuro filósofo materialista que despontam. 

 

(Carlos Eduardo Ornelas Berriel. https://blogdaboitempo.com.br. Adaptado)

 

10. A regência verbal e o emprego do sinal indicativo de crase estão em conformidade com a norma-padrão da língua em:

a) É preciso dar atenção à ela.

b) Ele criticou à certas convenções.

c) O médico tentou dissuadi-lo à trabalhar.

d) Lá deu vida àquelas obras literárias.

e) Karl defendia à uma revolução.

11. Assinale a alternativa em que o sentido expresso pelo vocábulo destacado está indicado entre colchetes.

a) É preciso levar a sério a filha de Marx, Eleanor, quando disse que seu pai “era o mais alegre e divertido de todos os homens”. [hipótese]

b) Naquele ano, por indicação médica – pois adoecera por excesso de trabalho –, Marx deixou Berlim … [consequência]

c) … Marx deixou Berlim e estabeleceu-se, para repousar, em Stralow, uma vila de pescadores. [direção]

d) Mas, em vez do descanso, optou por trabalhar intensamente. [adição]

e) Esse romance, publicado entre 1759 e 1767, cobre de ridículo os estereótipos literários então dominantes. [tempo]

12. Os travessões empregados no segundo parágrafo servem ao propósito de isolar uma expressão com função

a) resumitiva.

b) enumerativa.

c) explicativa.

d) recapitulativa.

e) exemplificativa.

 

13. De acordo com o texto, as obras Escorpião e Félix e Oulanem, de Karl Marx, têm em comum o fato de serem:

a) burlescas e tratarem de temas metafísicos.

b) empoladas e desenvolverem teses filosóficas.

c) classicistas e reproduzirem estereótipos burgueses.

d) incompletas e atacarem a tradição acadêmica.

e) regionalistas e terem a Itália como cenário.

 

14. Quanto às regras de concordância da norma-padrão da língua, está redigida corretamente a frase:

a) Uma parceria entre Tera, Scoop&Co e Época Negócios obteve dados interessantes sobre como as transformações digitais têm sido vistas pelos trabalhadores brasileiros.

b) A pesquisa sobre as capacidades digitais dos trabalhadores brasileiros, feita em parceria por Tera, Scoop&Co e Época Negócios, receberam apoio de Love Mondays.

c) A chegada de novas tecnologias no mercado de trabalho vêm deixando empolgado uma quantidade considerável dos brasileiros, conforme números divulgados pela Época Negócios.

d) Recentemente, surgiu novas tecnologias no mercado de trabalho, transformando a rotina de muitos trabalhadores, obrigado a atualizar seus conhecimentos.

e) O trabalhador precisa estudar para atender às demandas do mercado de trabalho, os quais se transformam constantemente com as novas tecnologias.

16. Assinale a alternativa em que, vistos no contexto, os enunciados separados por barra estão relacionados pela ideia de causa e consequência, nessa ordem.

a) Os brasileiros estão otimistas com o impacto da transformação digital em suas carreiras, / mas superestimam as suas capacidades digitais…

b) … mais de 80% dos brasileiros se dizem empolgados com a chegada das novas tecnologias no trabalho / e 87% estão confiantes de que vão se adaptar à nova realidade.

c) Quando apresentados a uma lista de habilidades mais demandadas, / 42% afirmaram não conhecer as 14 competências digitais desejadas por empregadores…

d) … 42% afirmaram não conhecer as 14 competências digitais desejadas por empregadores, de acordo com lista do LinkedIn para 2018. / “A lista traz funções não exigidas nas empresas há cinco anos.

e) … a renovação das competências aconteceu rápido demais. / As pessoas não viram isso acontecer…