DICAS IMPORTANTES:

 

Enunciados:

No trecho retirado do texto...

No excerto retirado do texto...

No trecho ...  em evidência...

                        sublinhado...

                        destacado (geralmente, em negrito)

“No período, o fenômeno da crase foi utilizado corretamente, selecione a alternativa em que isso não tenha ocorrido”:

“No período abaixo, o acento grave foi corretamente utilizado em:”

  • Não retorne ao texto (a questão pede o uso adequado do acento GRAVE, indicativo de crase – não é uma questão para interpretação)

 

Interpretação de textos. A banca FGV traz textos curtos e simples, então:

  • Marque os personagens do texto:

    • Pessoa 1 disse isso, ou Pessoa 1 apresenta a seguinte postura

    • Pessoa 2 disse aquilo, ou Pessoa 2 apresenta a seguinte postura

  • Perceba o local ‘físico’ onde a ação textual ocorre:

    • Hospital

    • Rua

    • Casa

    • Supermercado

 

Reescrita de frases. Atenção especial com as conjunções, com a pontuação (especialmente vírgulas) e semântica (alteração do sentido original).

  • A vírgula é especialmente utilizada em adjuntos adverbiais de tempo;

  • Semântica:

    • Sinônimos

    • Antônimos

    • Parônimos

    • Homônimos

Tipologia textual: São as classificações recebidas por um texto de acordo com as regras gramaticais, dependendo de suas características. São as classificações mais clássicas de um texto: A narração, a descrição e a dissertação. Hoje já se admite também a exposição e a injunção. Ao todo são 5 (cinco) tipos textuais.

1. NARRAÇÃO

Ao longo de nossa vida estamos sempre relatando algo que nos aconteceu ou aconteceu com outros, pois nosso dia-a-dia é feito de acontecimentos que necessitamos contar/relatar. Seja na forma escrita ou na oralidade, esta é a mais antiga das tipologias, vem desde os tempos das cavernas quando o homem registrava seus momentos através dos desenhos nas paredes.

 

Regra gramatical para este tipo de texto (NARRAÇÃO):

Narrar é contar uma história que envolve personagens e acontecimentos. São apresentadas ações e personagens: O que aconteceu, com quem, como, onde e quando.

 

Segue a seguinte estrutura:

NARRAÇÃO/NARRAR 
(CONTAR)

Personagens (com quem/ quem vive a história – reais ou imaginários) 
Enredo (o que/ como – fatos reais ou imaginários) 
Espaço (onde? /quando? )

Exemplo:

Minha vida de menina

Faço hoje quinze anos. Que aniversário triste! Vovó chamou-me cedo, ansiada como está, coitadinha e disse: "Sei que você vai ser sempre feliz, minha filhinha, e que nunca se esquecerá de sua avozinha que lhe quer tanto". As lágrimas lhe correram pelo rosto abaixo e eu larguei dos braços dela e vim desengasgar-me aqui no meu quarto, chorando escondida.

Como eu sofro de ver que mesmo na cama, penando com está, vovó não se esquece de mim e de meus deveres e que eu não fui o que deveria ter sido para ela! Mas juro por tudo, aqui nesta hora, que eu serei um anjo para ela e me dedicarei a esta avozinha tão boa e que me quer tanto.

Vou agora entrar no quarto para vê-la e já sei o que ela vai dizer: "Já estudou suas lições? Então vá se deitar, mas antes procure alguma coisa para comer. Vá com Deus". Helena Morley

2. DESCRIÇÃO

A intenção deste tipo de texto é que o interlocutor possa criar em sua mente uma imagem do que está sendo descrito. Podemos utilizar alguns recursos auxiliares da descrição. São eles:

A) A enumeração:

Pela enumeração podemos fazer um “retrato do que está sendo descrito, pois dá uma ideia de ausência de ações dentro do texto.

B) A comparação:

Quando não conseguimos encontrar palavras que descrevam com exatidão o que percebemos, podemos utilizar a comparação, pois este processo de comparação faz com que o leitor associe a imagem do que estamos descrevendo, já que desperta referências no leitor. Utilizamos comparações do tipo: o objeto tem a cor de ..., sua forma é como ..., tem um gosto que lembra ..., o cheiro parece com ..., etc.

C) Os cinco sentidos:

Percebemos que até mesmo utilizando a comparação para poder descrever, estamos utilizando também os cinco sentidos: Audição, Visão, Olfato, Paladar, Tato como auxílio para criação desta imagem, proporcionando que o interlocutor visualize em sua mente o objeto, o local ou a pessoa descrita.

Por exemplo: Se você fosse descrever um momento de lazer com seus amigos numa praia. O que você perceberia na praia utilizando a sua visão (a cor do mar neste dia, a beleza das pessoas à sua volta, o colorido das roupas dos banhistas) e a sua audição (os sons produzidos pelas pessoas ao redor, por você e pelos seus amigos, pelos ambulantes). Não somente estes dois, você pode utilizar também os outros sentidos para caracterizar o objeto que você quer descrever.

Regra Gramatical para este tipo de texto (Descrição):

Descrever é apresentar as características principais de um objeto, lugar ou alguém.

Pode ser:

Objetiva: Predomina a descrição real do objeto, lugar ou pessoa descrita. Neste tipo de descrição não há a interferência da opinião de quem descreve, há a tendência de se privilegiar o que é visto, em detrimento do sujeito que vê.

Subjetiva: aparecem, neste tipo de descrição, as opiniões, sensações e sentimentos de quem descreve pressupondo que haja uma relação emocional de quem descreve com o que foi descrito.

 

Características do texto descritivo

- É um retrato verbal

- Ausência de ação e relação de anterioridade ou posterioridade entre as frases

- As classes gramaticais mais utilizadas são: substantivos, adjetivos e locuções adjetivas

- Como na narração há a utilização da enumeração e comparação

- Presença de verbos de ligação

- Os verbos são flexionados no presente ou no pretérito (passado)

- Emprego de orações coordenadas justapostas

A estrutura do texto descritivo

A descrição apresenta três passos básicos:

1- Introdução: apresentação do que se pretende descrever.

2- Desenvolvimento: caracterização subjetiva ou objetiva da descrição.

3- Conclusão: finalização da apresentação e caracterização de algo.

Exemplo:

Alguns dados sobre Rudy Steiner

“Ele era oito meses mais velho do que Liesel e tinha pernas ossudas, dentes afiado, olhos azuis esbugalhados e cabelos cor de limão. Como um dos seis filhos dos Steiner, estava sempre com fome. Na rua Himmel, era considerado meio maluco ...”

3. DISSERTAÇÃO

Podemos dizer que dissertar é falar sobre algo, sobre determinado assunto; é expor; é debater. Este tipo de texto apresenta a defesa de uma opinião, de um ponto de vista, predomina a apresentação detalhada de determinados temas e conhecimentos.

Para construção deste tipo de texto há a necessidade de conhecimentos prévios do assunto/tema tratado.

Regra gramatical para esse tipo de texto (Dissertação):

Dissertar é expor os conhecimentos que se tem sobre um assunto ou defender um ponto de vista sobre um tema, por meio de argumentos.

 

Estrutura da dissertação

EXPOSITIVA 
Predomínio da exposição, explicação

ARGUMENTATIVA 
Predomínio do uso de argumentos, visando o convencimento, à adesão do leitor.

Introdução

Apresentação do assunto sobre o qual se escreve (Apresentação da tese).

Apresentação do assunto sobre o qual se escreve (apresentação da tese) e do ponto de vista assumido em relação a ele.

Desenvolvimento

Exposição das informações e conhecimentos a respeito do assunto (é o momento da discussão da tese)

A fundamentação do ponto de vista e sua defesa com argumentos. (Defende-se a tese proposta)

Conclusão

Finalização do texto, com o encerramento do que foi dito

Retomada do ponto de vista para fechar o texto de modo mais persuasivo

Exemplo:

Redução da maioridade penal, grande falácia

O advogado criminalista Dalio Zippin Filho explica por que é contrário à mudança na maioridade penal.

Diuturnamente o Brasil é abalado com a notícia de que um crime bárbaro foi praticado por um adolescente, penalmente irresponsável nos termos do que dispõe os artigos 27 do CP, 104 do ECA e 228 da CF. A sociedade clama por maior segurança. Pede pela redução da maioridade penal, mas logo descobrirá que a criminalidade continuará a existir, e haverá mais discussão, para reduzir para 14 ou 12 anos. Analisando a legislação de 57 países, constatou-se que apenas 17% adotam idade menor de 18 anos como definição legal de adulto.

Se aceitarmos punir os adolescentes da mesma forma como fazemos com os adultos, estamos admitindo que eles devem pagar pela ineficácia do Estado, que não cumpriu a lei e não lhes deu a proteção constitucional que é seu direito. A prisão é hipócrita, afirmando que retira o indivíduo infrator da sociedade com a intenção de ressocializá-lo, segregando-o, para depois reintegrá-lo. Com a redução da menoridade penal, o nosso sistema penitenciário entrará em colapso.

Cerca de 85% dos menores em conflito com a lei praticam delitos contra o patrimônio ou por atuarem no tráfico de drogas, e somente 15% estão internados por atentarem contra a vida. Afirmar que os adolescentes não são punidos ou responsabilizados é permitir que a mentira, tantas vezes dita, transforme-se em verdade, pois não é o ECA que provoca a impunidade, mas a falta de ação do Estado. Ao contrário do que muitos pensam, hoje em dia os adolescentes infratores são punidos com muito mais rigor do que os adultos.

Apresentar propostas legislativas visando à redução da menoridade penal com a modificação do disposto no artigo 228 da Constituição Federal constitui uma grande falácia, pois o artigo 60, § 4º, inciso IV de nossa Carta Magna não admite que sejam objeto de deliberação de emenda à Constituição os direitos e garantias individuais, pois se trata de cláusula pétrea.

A prevenção à criminalidade está diretamente associada à existência de políticas sociais básicas e não à repressão, pois não é a severidade da pena que previne a criminalidade, mas sim a certeza de sua aplicação e sua capacidade de inclusão social. 
Dalio Zippin Filho é advogado criminalista. 10/06/2013 
Texto publicado na edição impressa de 10 de junho de 2013

4. EXPOSIÇÃO

Aqueles textos que nos levam a uma explicação sobre determinado assunto, informa e esclarece sem a emissão de qualquer opinião a respeito, é um texto expositivo.

 

Regras gramaticas para este tipo textual (Exposição):

Neste tipo de texto são apresentadas informações sobre assuntos e fatos específicos; expõe ideias; explica; avalia; reflete. Tudo isso sem que haja interferência do autor, sem que haja sua opinião a respeito. Faz uso de linguagem clara, objetiva e impessoal. A maioria dos verbos está no presente do indicativo.

Exemplos: Notícias Jornalísticas

5. INJUNÇÃO

Os textos injuntivos estão presentes em nossa vida nas mais variadas situações, como por exemplo quando adquirimos um aparelho eletrônico e temos que verificar manual de instruções para o funcionamento, ou quando vamos fazer um bolo utilizando uma receita, ou ainda quando lemos a bula de um remédio ou a receita médica que nos foi prescrita. Os textos injuntivos são aqueles textos que nos orientam, nos ditam normas, nos instruem.

 

Regras gramaticais para este tipo de texto (Injunção):

Como são textos que expressão ordem, normas, instruções tem como característica principal a utilização de verbos no imperativo. Pode ser classificado de duas formas:

-Instrucional: O texto apresenta apenas um conselho, uma indicação e não uma ordem.

-Prescrição: O texto apresenta uma ordem, a orientação dada no texto é uma imposição.

Exemplo:

BOLO DE CENOURA

Ingredientes 
Massa 
3 unidades de cenoura picadas 
3 unidades de ovo 
1 xícaras (chá) de óleo de soja 
3 xícaras (chá) de farinha de trigo 
2 xícaras (chá) de açúcar 
1 colheres (sopa) de fermento químico em pó 
Cobertura 
1/2 xícara (chá) de leite 
5 colheres (sopa) de achocolatado em pó 
4 colheres (sopa) de açúcar 
1 colher (sopa) de Margarina 
Como fazer 
Massa 
Coloque os ingredientes no liquidificador, e acrescente aos poucos a farinha. 
Leve para assar em uma forma untada. 
Depois de assado cubra com a cobertura. 
Cobertura 
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo e deixe ferver até engrossar.

Breve Resumo Para Fixação

Narração: Personagens, Enredo, Espaço...

Descrição: Enumeração, Comparação, Retrato Verbal...

Dissertação: Expositiva, Argumentativa, Debater...

Injunção: Instrucional (Manuais, Receitas, Bulas...)

Exposição: Fatos, Impessoal (Notícias Jornalísticas)

Referenciação Textual. anáfora ocorre quando o elemento remete a algo que já foi expresso no texto. Já a catáfora ocorre quando o elemento anuncia algo que ainda vai vir.

Anáforas:

As crianças brincavam depois da aula, era sexta-feira e todas estavam reunidas no parquinho. Corriam, desciam escorregadores, subiam no trepa-trepa, giravam no roda-roda e, a despeito da chuva que se anunciava, elas continuavam se divertindo.

As palavras todas e elas retomam algo que já foi citado anteriormente, nesse caso, a palavra crianças. Isso também acontecerá no trecho abaixo:

Tudo que elas queriam fazer era isto: brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse.Os pequenos estavam muito ocupados em se divertir e não perceberam o que estava por vir: uma chuva torrencial. Pegos de surpresa, (eles) abandonaram o lugar de tanta diversão e (eles) foram correndo para suas casas, a fim de se protegerem.

As palavras elas, pequenos e eles (aqui elipsados, mas partes constituintes da análise) também fazem uma referência anafórica ao objeto crianças.

Catáforas:

Tudo que elas queriam fazer era isto: brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse.

Os pequenos estavam muito ocupados em se divertir e não perceberam o que estava por vir: uma chuva torrencial.

Observe que os termos isto e o que são elementos que fazem referência a um termo subsequente, respectivamente brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse e uma chuva torrencial.

Inadvertidamente, fazemos uso desses elementos de referenciação na modalidade oral, pois, quando conversamos com nossos familiares e amigos, não refletimos muito sobre o uso desses fatores tão importantes para a coesão textual. Contudo, na modalidade escrita, devemos ficar atentos para evitar repetições desnecessárias de termos e usar adequadamente o dispositivo de referenciação, compreendendo que o texto pode apresentar relações sequenciadas, mas não necessariamente lineares.

 

Por referência exofórica: essa recebe o nome de “exofórica” justamente porque faz referência a algo que está localizado fora do texto, que no caso se trata de um elemento. Veja um exemplo: “a gente era pequena naquele tempo”. Naquele é no caso o elemento exofórico da frase.

Por referência endofórica: e já que falamos da que está do lado de fora que se trata da exofórica, agora vamos falar de quem está do lado de dentro, que claro se trata da endofórica. Veja um exemplo bem fácil de entender: “lá estava ela, ali parada, minha namorada”. A palavra “ela” nada mais é do que uma referência endofórica.

 

Diferença entre Adjunto Adnominal e Complemento Nominal.

É comum confundir o adjunto adnominal na forma de locução adjetiva com complemento nominal. Para evitar que isso ocorra, considere o seguinte:

a) Somente os substantivos podem ser acompanhados de adjuntos adnominais; já os complementos nominais podem ligar-se a substantivos, adjetivos e advérbios. Assim, fica claro que o termo ligado por preposição a um adjetivo ou a um advérbio só pode ser complemento nominal. Quando não houver preposição ligando os termos, será um adjunto adnominal.

b)  O complemento nominal equivale a um complemento verbal, ou seja, só se relaciona a substantivos cujos significados transitam. Portanto, seu valor é passivo, é sobre ele que recai a ação. O adjunto adnominal tem sempre valor ativo. Observe os exemplos:

Exemplo 1 : Camila tem muito amor à mãe.

A expressão "à mãe" classifica-se como complemento nominal, pois mãe é paciente de amar, recebe a ação de amar.

Exemplo 2 : Vera é um amor de mãe.

A expressão "de mãe" classifica-se como adjunto adnominal, pois mãe é agente de amar, pratica a ação de amar.

Fontes:

http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/tipologia-textual

PEREZ, Luana Castro Alves. "Referenciação"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/redacao/referenciacao.htm>. Acesso em 16 de abril de 2019.