01. A respeito do “conceito de erro em língua”, o gramático Luiz Antônio Sacconi, em sua obra “Nossa Gramática – Teoria e Prática”, afirma:

“Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos casos de ortografia. O que se comete são transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele falar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgride a norma culta. (…) Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o comete, passando, assim, a constituir fato linguístico (registro de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda que não tenha amparo gramatical).”

SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática – Teoria e Prática – 18ª ed. Reformada e atual. São Paulo: Atual, 1994. pp. 8 e 9.

Considerando o conceito de “erro em língua”, exposto acima, assinale a alternativa em que se apresenta uma transgressão da norma culta considerada “fato linguístico”?

a) Eu não sei aonde o elefante quer chegar.

b) Ana Lins Bretas, cujo pseudônimo era Cora Coralina, foi uma grande escritora brasileira.

c) “E há por fim os olhos, / onde se deposita / a parte do elefante” (texto 2, versos 19 a 21).

d) “Ele não encontrou / o de que carecia, / o de que carecemos,” (texto 2, versos 86 a 88).

e) É uma das poucas opiniões do poeta onde existe uma controvérsia.

 

02. Quanto à estrutura, os textos 1 e 2

a) são haicais pois transmitem imensa sabedoria em relação ao tamanho dos textos apresentados.

b) são acrósticos que cantam determinado lugar ou coisa.

c) são baladas que fazem referência a um tempo perdido.

d) são poemas modernos que apresentam versos brancos ou livres e estrofes polimétricas.

e) são sonetos e apresentam conteúdos ligados à sabedoria acumulada pelos poetas ao longo do tempo.

 

03. Sobre os textos 1 e 2, analise as afirmações abaixo: 

I. descrevem um exterior cuja aparência pode ser vista como deselegante, guardando, porém, tanto os becos quanto o elefante, um interior rico em poesia e vida.

II. revelam uma construção erudita, rígida e intelectualizada de uma narrativa poética cuja forma apresenta estrofes regulares e longas, intercaladas por estribilho. 

III. há uma relação estreita entre prosa e poesia revelada no encadeamento que oscila entre a descrição e a narração.

 

Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões)

a) I apenas.

b) II apenas.

c) I e III apenas.

d) II e III apenas.

e) I, II e III.

 

04. Assinale a alternativa em que os vocábulos são acentuados de acordo com as mesmas regras de acentuação gráfica das palavras abaixo transcritas, respectivamente:

 

sandália (verso 7, texto 1); úmida (verso 17, texto 1); só (verso 28, texto 1); sensível (verso 55, texto 2); conteúdo (verso 95, texto 2).

 

a) réstia, sifilítico, vê, grátis, baú

b) água, família, há, revólver, frágil

c) infância, matéria, à, móveis, saúva

d) estória, poético, têm, viúva, maiúscula

e) solitária, fáceis, deixá-lo, médio, carícia

 

05. Considere os versos 19 a 23 do texto 2, transcritos abaixo:

“E há por fim os olhos,

onde se deposita

a parte do elefante

mais fluida e permanente,

alheia a toda fraude.” 

 

Abaixo, você encontrará alguns ditados populares elencados. Qual destes ditados mais se aproxima da ideia veiculada no verso 23, “alheia a toda fraude”?

a) “Fazer o bem sem olhar a quem.”

b) “O pior cego é aquele que não quer ver.”

c) “Perto dos olhos, longe do coração.”

d) “Em terra de cego, quem tem um olho é rei.”

e) “Os olhos são a janela da alma.”

 

06. O poema O elefante (texto 2)

a) anuncia, por meio da alegoria do animal, que o tamanho dos problemas dos adultos é inversamente proporcional ao tamanho do elefante, sendo, ao mesmo tempo, um poema direcionado às crianças.

b) estabelece uma relação criador/criatura e, metaforicamente, é possível falar de um paralelo entre arte/artista: o conteúdo produzido pelo artista é causa e consequência, ao mesmo tempo, do trabalho do poeta com as palavras.

c) desconecta o elefante (criação) de seu criador, retirando deste toda a sua capacidade criativa.

d) mostra a criatura, o elefante, como algo definido e único: criá-lo é tão trabalhoso que não há possibilidade de criar outros elefantes.

e) revela, metaforicamente, um descuido com o fazer poético ao descrever a deselegância do elefante mal construído, que segue pelas ruas de modo desequilibrado.

 

07. Observe os vocábulos destacados em negrito nos versos 39 a 44 do texto 2, transcritos abaixo:

“Vai o meu elefante

pela rua povoada,

mas não o querem ver

nem mesmo para rir

da cauda que ameaça

deixa-lo ir sozinho.”

Sobre esses vocábulos, de acordo com a gramática normativa, considere as seguintes afirmações:

I – o primeiro “o” é um artigo definido e o segundo é uma forma pronominal oblíqua, assim como a forma “lo” em “deixá-lo”.

II – a colocação do segundo “o” junto ao advérbio de negação aproxima-se do registro mais utilizado no português falado no Brasil.

III – “o” e “lo” nos versos “mas não o querem ver” e “deixá-lo ir sozinho” são formas pronominais que garantem a coesão referencial anafórica. 

 

Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões)

a) I apenas.

b) III apenas.

c) I e II apenas.

d) I e III apenas.

e) II e III apenas.

 

08. Considere os versos 95 a 98 do texto 2, transcritos abaixo:

 

“e todo o seu conteúdo

de perdão, de carícia,

de pluma, de algodão,

jorra sobre o tapete,”

 

A figura de linguagem construída a partir de uma relação entre os campos semânticos evocados pelo título do poema e de seus versos acima destacados é a (o)

a) ambiguidade.

b) apóstrofe.

c) antítese.

d) eufemismo.

e) metonímia.

09. A conjunção “mas” que se repete nas estrofes do texto 2 nos versos 41, 58, 59, 77 e 83:

a) exprime consequência de uma árdua tarefa dada ao elefante que, de tanto pesquisar, ficou exausto.

b) tem na verdade uma função aditiva: embora sua forma seja a de uma adversativa, apenas liga as ideias dando continuidade e sequência ao texto.

c) traz em si uma ideia de compensação como na oração “não era bonito, mas esbanjava simpatia”.

d) dá forma ao contraste entre a expectativa inicial e a volta para casa: o homem não se deixa receber a ternura que o elefante carrega.

e) é a conjunção mais comumente utilizada entre as adversativas, não exercendo, no entanto, relação de contraste nos versos do texto.

10. Considere os versos 68 a 80 do texto 2, transcritos abaixo:

“Esse passo que vai

sem esmagar as plantas

no campo de batalha,

à procura de sítios,

segredos, episódios

não contados em livro,

de que apenas o vento,

as folhas, a formiga

reconhecem o talhe,

mas que os homens ignoram,

pois só ousam mostrar-se

sob a paz das cortinas

à pálpebra cerrada.” 

 

Acerca de “vento”, “folhas” e “formiga”, pode-se afirmar que

a) significam a procura do poeta por novos “sítios”, ou seja, novo público, futuros leitores do poema.

b) são comparados ao “livro” que o poeta pretende escrever sob a paz das cortinas.

c) não constituem elementos naturais capazes de compreender e espelhar a natureza do “elefante”.

d) estão presentes no poema com o objetivo de exaltar o comportamento humano que só se mostra “sob a paz das cortinas / à pálpebra cerrada”.

e) eles não ignoram o que o homem ignora.

 

11. A respeito do uso do vocábulo “sabidos” (texto 1, verso 21), pode-se afirmar que

a) indica a “esperteza” dos “burrinhos dos morros” ao optarem por ter suas cargas arrochadas.

b) confere valor semântico positivo à expressão “burrinhos dos morros”.

c) compara a escolha dos “burrinhos dos morros” pelas cangalhas à imundície dos “becos antigos”.

d) estabelece uma ideia contraditória e pejorativa à expressão “burrinhos dos morros”.

e) reforça o sentido de animal maltratado por seus donos: uma atitude distinta daquela conferida pela voz poética que aparece no primeiro verso da estrofe em questão.

 

12. “E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.“ (texto 1, verso 23)

 

O modo em que se encontra o verbo ser na forma verbal acima destacada, em contraste com o modo de todas as outras formas verbais do poema, evoca

a) um indício de certeza, característico do modo indicativo das formas verbais em português, pois é certo que a vida do menino é amarga.

b) algo irreal, hipotético, expresso pelo modo subjuntivo, que aponta, no entanto, para um desejo, uma possibilidade, no caso, de que o menino seja resgatado daquele cotidiano que lhe rouba a infância.

c) um anúncio, um sinal pertinente ao modo indicativo, de que o menino será salvo de sua realidade tão dura.

d) a certeza, expressa pelo modo verbal, de que a existência do menino é atravessada pelo trabalho infantil.

e) o tom imperativo da voz poética que está presente não apenas nesse verso, mas ao longo de todo o poema.

 

13. Sabe-se que o prefixo de negação “in”, na língua portuguesa, pode assumir diferentes formas, de acordo com a ocorrência dos fenômenos de assimilação e mesmo de dissimilação. 

Assinale a opção em que o significado do prefixo “in” difere do sentido encontrado nas palavras “indefeso” e “indefinido” no verso abaixo transcrito:

“Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.” (texto 1, verso 28)

a) Alimentar a criança é indispensável ao seu crescimento saudável.

b) A conclusão a que se chegou parecia algo ilógico.

c) Sua situação me parece irregular.

d) Eles estavam impossibilitados de frequentar aquele local.

e) Ele está tão fraco que já não consegue ingerir os alimentos.