Em três anos, violência urbana mata mais de 120 jovens em Rio Preto, SP

 

Assassinatos e acidentes de trânsito são as principais causas de morte. No Brasil, morte de jovem por homicídio cresceu mais de 200% em 30 anos.

 

     Um estudo do centro latino-americano mostra que a violência envolvendo jovens cresceu mais de 200% nas últimas três décadas no país. Foram computados casos de mortes por homicídio e no trânsito. No noroeste paulista, as autoridades afirmam que os crimes estão controlados, mas para as famílias das vítimas, muita coisa ainda precisa ser feita para que a população se sinta segura.

     No Brasil, a morte de jovens por homicídio e acidente cresceu quase 210% nos últimos 30 anos. As estatísticas fazem parte do Mapa da Violência, divulgado pelo Centro de Estudos Latino-americanos.

     Apesar de em São José do Rio Preto (SP), o número de mortes ter diminuído, as estatísticas não deixam de ser preocupantes. O levantamento feito entre 2009 e 2011 mostra que durante esse período: 45 jovens foram assassinados e 83 morreram no trânsito.

     O tenente da Polícia Militar Ederson Pinha explica porque pessoas de 18 a 30 anos estão entre as principais vítimas. “Hoje o jovem com 18 anos já tem a carteira de habilitação e tem um veículo, além da motocicleta, que cresce com os jovens. Tem também a questão da imaturidade e inexperiência ao volante. Quando o jovem percebe que não tem essa maturidade, ele já se envolveu no acidente”, afirma o tenente.

     Tão preocupante quanto as mortes de jovens no trânsito é o número de acidentes provocados por eles. A imprudência, o consumo de álcool e o excesso de velocidade têm transformado veículos em verdadeiras armas nas mãos de alguns motoristas. [...]

 

01. A construção “Apesar de”, que introduz o terceiro parágrafo, possui valor semântico:

a) alternativo.

b) aditivo.

c) explicativo.

d) concessivo.

1) CAUSAIS: porque, pois, visto que, já que, dado que, na medida em que, que, visto como, uma vez que, como (anteposto à oração principal), porquanto.

2) CONCESSIVAS: embora, ainda que, se bem que, mesmo que, posto que, apesar de que, por mais que, por menos que, não obstante, malgrado, conquanto. (expressa OPOSIÇÃO e que não impede a ação principal)

3) CONDICIONAIS: se, caso, desde que, conquanto que, a não ser que, sem que.

4) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, que, do que, (tanto) quanto/como.

5) CONSECUTIVAS: tal que, tanto/tanta que, de sorte que, de modo que, de forma que, tamanho que.

6) CONFORMATIVAS: conforme, como, segundo, consoante, de acordo que.

7) FINAIS: para que, porque, a fim de que.

8) PROPORCIONAIS: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais... mais, quanto mais... menos, quanto menos... mais, quanto menos...menos.

9) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, assim que, antes que, depois que, mal, sempre que.

 

02. Em “A imprudência, o consumo de álcool e o excesso de velocidade têm transformado veículos em verdadeiras armas nas mãos de alguns motoristas.”(5º§), nota-se que a concordância da forma verbal é feita com:

a) o vocábulo “veículos” flexionado no plural.

b) o sujeito indeterminado na 3ª pessoa.

c) o sujeito composto que a precede.

d) "verdadeiras armas”, que é sujeito posposto.

 

03. Considere o trecho abaixo para responder a questão.

muita coisa ainda precisa ser feita para que a população se sinta segura.” (1º§)

Atente para a análise da classe gramatical do vocábulo destacado em “muita coisa”(1º§). Em seguida, assinale a alternativa em que se destaca um exemplo de palavra de mesma classificação morfológica.

Muita coisa ainda precisa ser feita.

Muitas coisas ainda precisam ser feitas.

a) Todos estudaram bastante.

b) Algumas pessoas chegaram atrasadas.

c) Queria muito a sua ajuda.

d) Ficaram bem agitados os alunos.

04. O texto III tem um caráter mais objetivo na apresentação de uma ideia. Assinale a alternativa que apresenta um elemento que não contribui para essa objetividade:

a) Indicação de um lugar específico ao qual os fatos fazem referência.

b) O uso de dados estatísticos que ilustram as informações apresentadas.

c) A avaliação pessoal do jornalista em relação ao aumento da violência.

d) O emprego de um argumento de autoridade, no caso, o do tenente da Polícia.

 

Texto II

Rua da Amargura

(Vinicius de Moraes)

 

A minha rua é longa e silenciosa como um caminho que foge

E tem casas baixas que ficam me espiando de noite

Quando a minha angústia passa olhando o alto.

A minha rua tem avenidas escuras e feias

De onde saem papéis velhos correndo com medo do vento

E gemidos de pessoas que estão eternamente à morte.

A minha rua tem gatos que não fogem e cães que não ladram

Tem árvores grandes que tremem na noite silente

Fugindo as grandes sombras dos pés aterrados.

A minha rua é soturna...

Na capela da igreja há sempre uma voz que murmura louvemos

Sozinha e prostrada diante da imagem

Sem medo das costas que a vaga penumbra apunhala.[...]

 

05. Ao reescrever o verso “A minha rua tem avenidas escuras e feias” (v.4), haveria incorreção gramatical apenas na seguinte alternativa:

a) A minha rua possui avenidas escuras e feias.

b) Na minha rua, existe avenidas escuras e feias.

c) A minha rua contém avenidas escuras e feias.

d) Na minha rua, há avenidas escuras e feias.

 

06. No décimo verso, o vocábulo destacado em “A minha rua é soturna...” deve ser entendido como sinônimo de:

a) pobre.

b) religiosa.

c) desconhecida.

d) melancólica.

 

07. O verso “De onde saem papéis velhos correndo com medo do vento” (v.5) apresenta uma forma verbal no gerúndio. Tal forma nominal é caracterizada por indicar uma ação:

a) em processo.

b) passada concluída.

c) hipotética.

d) pontual, no presente.

08. Em “E gemidos de pessoas que estão eternamente à morte.” (v.6), o termo em destaque possui o acento grave. Essa presença justifica-se em função do vocábulo feminino que compõe uma locução:

 

a) prepositiva.

b) adjetiva.

c) adverbial.

d) conjuntiva.

09. O texto II é marcado pela presença de muitos adjetivos. Desse modo, assinale a alternativa em que a palavra destacada NÃO é um exemplo de adjetivo.

 

a) “Quando a minha angústia passa olhando o alto.” (v.3)

b) “De onde saem papéis velhos correndo com medo do vento” (v.5).

c) “Fugindo as grandes sombras dos pés aterrados.” (v.9).

d) “Sem medo das costas que a vaga penumbra apunhala.” (v.13).

10. A locução adjetiva “da amargura”, presente no título, caracteriza a rua, mas percebe-se que se trata da caracterização do ânimo do enunciador. Essa afirmação pode ser comprovada MELHOR pelo seguinte verso do poema:

 

a) “A minha rua é longa e silenciosa como um caminho que foge” (v.1).

b) “Quando a minha angústia passa olhando o alto.” (v. 3).

c) “E gemidos de pessoas que estão eternamente à morte.” (v.6).

d) “Tem árvores grandes que tremem na noite silente” (v.8).

 

Texto I

 

A Rua

(Fragmento)

 

     EU AMO A RUA. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres[...], mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua.

     (...) a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! (...) a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua (...).

     A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopeia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. (...) A rua é a eterna imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios, para ela como para as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há o despertar triste, e quando o sol desponta e ela abre os olhos esquecida das próprias ações, é (...) tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos...

     A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada detalhe, em cada praça, tipo diabólico que tem, dos gnomos e dos silfos das florestas, tipo proteiforme, feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito e ambíguo com saltos de felino e risos de navalha, o prodígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve preocupações, criatura que pede como se fosse natural pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d’oiro que se faz lama e torna a ser poeira – a rua criou o garoto!

 

RIO, João do. A alma encantadora das ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, pp. 28–31.

 

Vocabulário

Agremia: do verbo agremiar; juntar num mesmo grupo.

Canteiros: pedreiros responsáveis pelas construções com pedra.

Frontarias: fachada principal; frente.

Melopeia: melodia; canção melodiosa.

Silfos: seres mágicos do ar presente em mitologias europeias.

Proteiforme: que muda de forma frequentemente.

Potentados: majestades; maiorais; pessoas de grande poder.

 

11. Considerando o contexto em que estão inseridas, as palavras destacadas em “A rua faz as celebridades e as revoltas,” (4º§) estabelecem entre si uma relação semântica, podendo ser consideradas:

a) antônimos.

b) sinônimos.

c) homônimos.

d) parônimos.

 

12. Considere o trecho abaixo para responder a questão:

“tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos...” (3º§)

A conjunção destacada na passagem relaciona ideias e possui valor semântico de:

a) causa.

b) consequência.

c) conformidade.

d) finalidade.

 

13. “tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos...” (3º§)

O vocábulo “tão” é repetido no trecho cumprindo papel enfático e deve ser classificado, morfologicamente, como:

a) adjetivo.

b) pronome indefinido.

c) advérbio.

d) preposição.

 

14.

“Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim.” (1º§)

 

O pronome “vos” exemplifica um registro formal da Língua e aponta para a segunda pessoa do discurso exercendo a função sintática de:

a) vocativo.

b) objeto indireto.

c) sujeito.

d) agente da passiva.

 

15. O trecho apresenta uma oração cuja construção verbal ilustra a voz:

 

“Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim.” (1º§)

a) passiva sintética.

b) ativa.

c) reflexiva.

d) passiva analítica.