É enorme a quantidade de empregos que será eliminada a partir da automatização dos serviços. As empresas se automatizam cada vez mais, com softwares poderosos e inteligência artificial, de modo que se expandem empregando número menor de trabalhadores. É o que os americanos chamam de jobless growth (crescimento sem empregos).

Diante desse cenário, como a humanidade vai reagir? Rebeliões contra a mecanização dos processos produtivos não são inéditas. No século XIX, na Inglaterra, os ludistas destruíram teares em sua revolta contra a substituição da mão de obra humana pelas máquinas.

A tecnologia, contudo, sempre venceu.

Hoje, uma empresa ou país que resolver frear o desenvolvimento tecnológico para evitar uma catástrofe – tanto quanto para evitar a extinção de postos de trabalho – acabará perdendo competitividade nacional e internacional.

Por conseguinte, essa empresa ou esse país se verá às voltas com o desemprego (fruto da diminuição da fatia de mercado decorrente da menor competitividade) e não terá interrompido a escalada tecnológica de outras empresas ou de outros países.

Apesar dessa questão suscitar tantos aspectos assustadores, o que há de pior para um país é não discutir o assunto.

(Adaptado de: FELDMANN, Paulo. Seu emprego vai para um robô. Folha de São Paulo, Ilustríssima.) 

 

01. Identifica-se o uso correto da voz passiva na frase adaptada do texto que se encontra em:

a) Será eliminado, com o uso da tecnologia e a automatização dos serviços, grande parte dos empregos.

b) Apesar de suscitado por essa questão tantos aspectos assustadores, é pior não discutir o assunto.

c) Ao longo da história, já se registrou rebeliões contra a mecanização dos processos produtivos, as quais não são, portanto, inéditas.

d) Na Inglaterra, durante a revolta contra a substituição da mão de obra humana pelas máquinas, teares foram destruídos pelos ludistas.

e) É chamado de jobless growth, pelos americanos, as empresas cujo crescimento se dá sem a correspondente geração de empregos.

 

02. As empresas se automatizam cada vez mais, com softwares poderosos e inteligência artificial, de modo que se expandem empregando número menor de trabalhadores.

Mantendo-se as relações de sentido e a correção, uma nova redação para a frase acima está em:

a) À medida em que se automatizam cada vez mais, com softwares poderosos e inteligência artificial, as empresas cujo número de trabalhadores empregados é cada vez menor se expandem.

b) Por meio de softwares poderosos e inteligência artificial, as empresas se automatizam cada vez mais; por conseguinte, contratam-se um número menor de trabalhadores para que as empresas se expandam.

c) Embora cada vez mais empresas se automatizam, usando softwares poderosos e inteligência artificial, as quais se expandem por empregar um número muito menor de trabalhadores.

d) A fim de se automatizarem, cada vez mais, com o uso de softwares poderosos e inteligência artificial, as empresas expandem o número de trabalhadores empregados.

e) Como estão cada vez mais automatizadas, com softwares poderosos e inteligência artificial, ainda que empregando um número muito menor de trabalhadores, as empresas se expandem.

 

03. Identifica-se noção de finalidade no segmento que se encontra em:

a) Apesar dessa questão suscitar tantos aspectos assustadores...

b) ...para evitar a extinção de postos de trabalho...

c) A tecnologia, contudo, sempre venceu.

d) Por conseguinte, essa empresa ou esse país se verá às voltas com o desemprego...

e) ...o que há de pior para um país é não discutir o assunto.

 

04. Verifica-se o emprego de verbo no modo imperativo no seguinte trecho:

a) Então ele suplicou à raposa que fizesse uma segunda tentativa para trazer a corça novamente...

b) Vim trazer boas novas!

c) Por decisão dele, você assumirá o reinado!

d) E se chegar perto de mim, não sairá viva!

e) Se você me quer vivo e saudável, ludibrie com palavras a maior corça que vive na floresta...

 

05. A forma verbal destacada deve sua flexão ao termo sublinhado em:

a) A corça é a mais digna da realeza, porque tem porte altivo, vida longa e um chifre que intimida as serpentes.

b) Um leão, que jazia doente em uma caverna, disse à estimada raposa, com quem mantinha convívio (1º parágrafo).

c) A raposa se foi e, ao encontrar a corça a saltitar na floresta, saudou-a efusivamente.

d) Enquanto a raposa dava murros porque havia feito esforços em vão, o leão gemia.

e) Assim, como um cão farejador, saiu à procura da corça e foi tramando trapaças rumo à floresta.

06. Verifica-se o emprego de vírgula para indicar elipse do verbo no seguinte trecho:

a) “O javali é sem juízo”, afirmava ele, “o urso, balofo”...

b) Com essas palavras, a corça ficou toda cheia de si e foi à caverna, ignorando o que ia acontecer.

c) Você sabe que o leão, nosso rei, é meu vizinho.

d) “Contudo, vou lhe dar esse apoio”, disse a raposa

e) Mas venha, não se deixe sugestionar por nada, comporte-se como um cordeiro.

 

07. No trecho transcrito, os termos destacados constituem, respectivamente,

a) pronome − pronome − artigo e artigo.

b) artigo − artigo − pronome e artigo.

c) pronome − artigo − pronome e preposição

d) preposição − artigo − pronome e preposição.

e) artigo − pronome − artigo e preposição.

 

08. Ao se transpor para o discurso direto o trecho ela perguntou se tinham visto uma corça sangrando, a locução verbal “tinha visto” assume a seguinte forma:

a) viram.

b) veem.

c) veriam

d) viam.

e) vissem.

 

Atenção: Leia a fábula “O leão, a raposa e a corça”, do escritor grego Esopo:

 

Um leão, que jazia doente em uma caverna, disse à estimada raposa, com quem mantinha convívio: “Se você me quer vivo e saudável, ludibrie com palavras a maior corça que vive na floresta, faça com que ela venha às minhas mãos, pois ela tem um coração e entranhas que despertam o meu apetite”. A raposa se foi e, ao encontrar a corça a saltitar na floresta, saudou-a efusivamente e, em seguida, lhe disse: “Vim trazer boas novas! Você sabe que o leão, nosso rei, é meu vizinho. Ele está doente, moribundo, e se pôs a considerar sobre qual dos animais iria sucedê-lo. O javali é sem juízo”, afirmava ele, “o urso, balofo, a pantera, ranzinza, o tigre, fanfarrão. A corça é a mais digna da realeza, porque tem porte altivo, vida longa e um chifre que intimida as serpentes. Bom, mais delongas para quê? Por decisão dele, você assumirá o reinado! E eu, que recompensa vou ganhar por ter-lhe dado essa notícia em primeira mão? Vamos, prometa-me alguma coisa. Estou com pressa, não vá ele sentir a minha falta! Ele me tem como conselheira para tudo. Se você quer ouvir a mim, sou velha, meu conselho é que você venha também e aguarde junto do moribundo”. Assim disse a raposa. Com essas palavras, a corça ficou toda cheia de si e foi à caverna, ignorando o que ia acontecer.

O leão, então, lançou impetuoso suas garras sobre ela, dilacerando-lhe somente as orelhas, pois a corça tratou de fugir rapidamente para a floresta. Enquanto a raposa dava murros porque havia feito esforços em vão, o leão gemia, entre fortes rugidos, pois a fome e o desgosto o dominavam. Então ele suplicou à raposa que fizesse uma segunda tentativa para trazer a corça novamente, por meio de um ardil. “A tarefa que você me atribuiu é difícil e penosa. Contudo, vou lhe dar esse apoio”, disse a raposa. Assim, como um cão farejador, saiu à procura da corça e foi tramando trapaças rumo à floresta, seguindo a indicação de uns pastores, a quem ela perguntou se tinham visto uma corça sangrando.

  A raposa a encontrou esbaforida e parou diante dela com a maior cara de pau. Indignada, a corça arrepiou o pelo e disse: “Nunca mais você me pega, sua peste! E se chegar perto de mim, não sairá viva! Vá raposinhar com outros, inexperientes, estimulando-os a se tornarem reis!” A raposa rebateu: “Você é tão frágil e covarde assim, que desconfia de nós, seus amigos? O leão, quando agarrou sua orelha, ia dar conselhos e recomendações a respeito desse cargo tão importante, porque ele está morrendo! E você não tolerou nem mesmo um arranhão da pata de um enfermo! Agora a indignação dele é muito maior que a sua, e ele pretende tornar rei o lobo. Ai de mim, um senhor malvado! Mas venha, não se deixe sugestionar por nada, comporte-se como um cordeiro. Juro por todas as folhas e fontes que não sofrerá nenhum mal da parte do leão. Quanto a mim, quero apenas o seu bem”.

Com tais ludíbrios, a raposa convenceu a medrosa a acompanhá-la uma segunda vez. E quando a corça adentrou a caverna, o leão agarrou a sua janta e se pôs a comer os ossos todos, o tutano e as entranhas. A raposa ficou parada, observando. Nisso cai o coração da corça e a raposa sorrateiramente o apanha e devora, como prêmio de seu empenho. E quando percebeu que o leão farejava todas as partes mas não achava o coração, ela, postada à distância, lhe disse: “A bem da verdade, essa fulana aí não tinha coração. Não adianta procurar! Que espécie de coração teria ela, que veio ter por duas vezes à morada e às mãos de um leão?”

(Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 309-311.)

 

09. Depreende-se da leitura da fábula a seguinte moral:

a) Aqueles que costuram maquinações contra os vizinhos são eles próprios os primeiros a cair em desgraça.

b) O amor pelas honrarias turva a mente das pessoas, levando-as a subestimarem as consequências dos perigos.

c) Aqueles que se fiam no próximo sem mais nem menos aceitam abrir mão de seus privilégios específicos e, depois, se tornam presas fáceis daqueles que anteriormente os temiam.

d) Aqueles que gostam de lutar contra superiores tornam-se vítimas do fracasso e também de zombarias.

e) Uma pessoa que se entrega à cobiça e comete injustiça contra os mais fracos, quando menos espera, lança-se contra um mais forte e, então, pagará também os males que praticou anteriormente.

 

10. Está gramaticalmente correta a redação do seguinte comentário:

a) Tezza, autor que confessa ter inveja dos bons contistas, consideram romances de 200 páginas mais fáceis de serem escritos do que um conto de duas.

b) Por se deixarem influenciar pela ideia de que os leitores não apreciam tal gênero, vê-se editores que não se interessam em publicar contos.

c) O critério do tamanho prossegue invencível para o leitor que, alheio à fórmulas narrativas, sabe se tratar de um conto a obra de breve leitura.

d) De apenas uma frase, o conto de Dalton Trevisan, foi arbitrariamente escolhido por Tezza como ponto de partida para determinar certas características que um conto deveria apresentar.

e) Após a publicação de Flores Artificiais, Luiz Ruffato consagrou-se como um notável autor de contos, fenômeno que se repetiu com o lançamento de A Cidade Dorme.

 

11. Ao se modificar a pontuação do texto, a frase que permanece correta, mantendo-se, em linhas gerais, o sentido original, está em:

a) Os contos [...] formam uma espécie de painel do "Brasil profundo"; a gigantesca classe média pobre que, luta para sobreviver, espremida em todo canto do país, entre os sonhos e a violência.

b) ... por ser um gênero curto, o conto é: também, por parecer fácil, uma perigosa porta aberta, em que cabe tudo, de cambulhada.

c) Desde Machado de Assis, que colocou o gênero entre nós num patamar muito alto, já no seu primeiro instante a aparente facilidade do conto, vem destroçando vocações.

d) Já se tentou explicar, em fórmulas narrativas, a diferença entre um conto, uma novela e um romance...

e) O atávico, país rural, com o seu inesgotável atraso explode, em todos os poros, da cidade moderna.