POR QUE HOJE EM DIA ABANDONAMOS TANTOS PROJETOS DE VIDA?

DÊNIS ATHANÁZIO

 

      Alguma vez você já contabilizou ou avaliou o número de projetos pessoais que abandonou durante a vida? Por que é que temos tanta dificuldade em manter relacionamentos e afetos, terminar e fechar o “ciclo” de cursos e estudos que nós mesmos escolhemos? Tudo a nossa volta perde o brilho muito rápido onde vivemos a todo tempo, entre a rápida euforia e o tédio. Se essa realidade tivesse uma cor, pra mim seria cinza.

      É claro que existem projetos que temos que abandonar devido aos infortúnios contingenciais ligados às diversas realidades psíquicas, sociais ou familiares incontroláveis que fazem parte da nossa existência. Comumente tais realidades diminuem nossa humanidade e geram uma espécie de dor sem sentido, daquelas que não precisaríamos passar. Refletindo sobre a minha história, suspeito de possíveis dificuldades que temos e que levam a essa inconstância desenfreada.

      Uma delas diz respeito à forma como nossa sociedade atual e grandemente excludente se apresenta e funciona, da qual não conseguimos fugir, em que quase tudo é líquido, e a mudança é tão rápida que, quando percebemos, ela já mudou de novo. E, quando se vê, nossos projetos e planos iniciais já foram substituídos sem nem termos chegado à metade do caminho que havíamos planejado. É dessa fonte que nasce aquela sensação de estarmos perdidos.

      A segunda é a extrema dificuldade que hoje em dia temos em lidar com as nossas frustrações diárias. Parece-me que o tempo todo nos é dito que temos que fazer apenas as coisas que amamos e que nos dão prazer imediato, mas quem é minimamente responsável e maduro sabe que essa tarefa é impossível. Seja qual for a sua escolha de vida, quase tudo tem um lado chato e quase desanimador, mas que é necessário realizá-lo. Quando escolhemos não fazê-lo, podemos parar e não terminar o que começamos.

      E por último e não raramente, para não fechar determinados ciclos, nos boicotamos inconscientemente, procrastinando ou abandonando nossos sonhos pelo temor neurótico de não darmos conta do que escolhemos, agora que somos socialmente e legalmente autorizados a fazê-lo.

      Essa sociedade (que não podemos esquecer que somos todos nós) não permite falhas, exige padrões e adaptações inalcançáveis de vida. Temos que refletir sobre esse nosso autoboicote e talvez conseguiremos manter ou terminar o que começamos e nos propusemos a realizar. Pois, do contrário, ficaremos “sentados no sofá” sempre com o conflito interno do “poderia ser” ou “poderia dar certo” e com o conformismo que “nos protege” da frustração das coisas que podem dar errado no caminho.

     Arrisco-me a pensar que, mesmo em outra época, Martin Luther King estava passando por essa mesma crise que enfrentamos hoje ao corajosamente escrever: “É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se, fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder. Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver”.

 

01. Assinale a alternativa que apresenta colocação pronominal enclítica no caso de verbo infinitivo impessoal.

a) “Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder”.

b) “É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar”.

c) “E por último e não raramente, para não fechar determinados ciclos, nos boicotamos inconscientemente [...]”.

d) “Parece-me que o tempo todo nos é dito que temos que fazer apenas as coisas que amamos e que nos dão prazer imediato [...]”.

e) “Seja qual for a sua escolha de vida, quase tudo tem um lado chato e quase desanimador, mas que é necessário realizá-lo”.

 

02. Assinale a alternativa que apresenta exemplo e justificativa adequados quanto à classe de palavras a que pertencem, bem como sua função no contexto da frase.

a) Em “Alguma vez você já contabilizou ou avaliou o número de projetos pessoais que abandonou durante a vida?”, a palavra destacada é uma preposição que indica a relação de dependência entre os termos que a antecedem e a sucedem.

b) Em “Tudo a nossa volta perde o brilho muito rápido onde vivemos a todo tempo [...]” os termos destacados são pronomes que caracterizam “nossa volta” e “brilho”.

c) Em “Refletindo sobre a minha história, suspeito de possíveis dificuldades que temos e que levam a essa inconstância desenfreada”, a palavra em destaque é um substantivo que caracteriza o sujeito da frase.

d) Em “E por último e não raramente, para não fechar determinados ciclos, nos boicotamos inconscientemente, procrastinando ou abandonando nossos sonhos pelo temor neurótico de não darmos conta do que escolhemos, agora que somos socialmente e legalmente autorizados a fazê-lo”, a palavra destacada funciona como um advérbio que modifica o verbo “boicotar” no contexto da frase.

e) Em “Por que é que temos tanta dificuldade em manter relacionamentos e afetos, terminar e fechar o “ciclo” de cursos e estudos que nós mesmos escolhemos?”, a palavra destacada é uma conjunção condicional, pois relaciona os dois termos que a contextualizam, “ciclo” e “cursos”.

 

03. Assinale a alternativa que indica a figura de linguagem destacada em: “Tudo a nossa volta perde o brilho muito rápido onde vivemos a todo tempo, entre a rápida euforia e o tédio. Se essa realidade tivesse uma cor, pra mim seria cinza.

a) Onomatopeia.

b) Metáfora.

c) Hipérbole.

d) Pleonasmo.

e) Sinestesia.

 

04. Sobre os elementos de comunicação em: “Por que hoje em dia abandonamos tantos projetos de vida?”, assinale a alternativa correta.

a) O leitor é o emissor, o autor é o receptor e a linguagem não verbal é o código da mensagem.

b) O autor é o canal de comunicação, o leitor representa os ruídos na comunicação e a mensagem é representada por linguagem não verbal.

c) O leitor é o canal de comunicação, o autor é o código e o contexto é a mensagem.

d) O autor é o emissor, o leitor é o receptor e a linguagem verbal é o código da mensagem.

e) A mensagem é o contexto, o código são os ruídos na comunicação e o canal de comunicação é o autor.

 

05. Assinale a alternativa que apresenta, dentre os sinais de pontuação destacados, aquele que enfatiza uma palavra ou expressão empregada fora de seu contexto habitual.

a) Em “Arrisco-me a pensar que, mesmo em outra época, Martin Luther King estava passando por essa mesma crise que enfrentamos hoje ao corajosamente escrever: “É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar” ”.

b) Em “Alguma vez você já contabilizou ou avaliou o número de projetos pessoais que abandonou durante a vida?”

c) “Essa sociedade (que não podemos esquecer que somos todos nós) não permite falhas, exige padrões e adaptações inalcançáveis de vida".

d) “Seja qual for a sua escolha de vida, quase tudo tem um lado chato e quase desanimador, mas que é necessário realizá-lo”.

e) “Temos que refletir sobre esse nosso autoboicote e talvez conseguiremos manter ou terminar o que começamos e nos propusemos a realizar. Pois, do contrário, ficaremos “sentados no sofá” sempre com o conflito interno do “poderia ser” ou “poderia dar certo” e com o conformismo que “nos protege” da frustração das coisas que podem dar errado no caminho”.

 

06. Assinale a alternativa que apresenta a justificativa correta quanto à acentuação gráfica das palavras seguintes.

a) “Você” recebe acento porque é uma palavra monossílaba.

b) “Psíquicas” é acentuada porque é uma palavra proparoxítona.

c) A palavra “tão” recebe acento porque é paroxítona terminada em “o”.

d) “Época” possui acento por ser uma palavra paroxítona terminada em “a”.

e) A palavra “incontroláveis” recebe acento por ser oxítona terminada em “s”.

 

07. Assinale a alternativa que substitui, sem prejuízo de sentido e considerando as devidas alterações de concordância, as palavras destacadas em: “É claro que existem projetos que temos que abandonar devido aos infortúnios contingenciais ligados às diversas realidades psíquicas, sociais ou familiares incontroláveis que fazem parte da nossa existência”.

a) Adversidades eventuais.

b) Problemas sucessivos.

c) Dificuldades frequentes.

d) Dilemas constantes.

e) Dúvidas previstas.

 

08. Em “Parece-me que o tempo todo nos é dito que temos que fazer apenas as coisas que amamos e que nos dão prazer imediato, mas quem é minimamente responsável e maduro, sabe que essa tarefa é impossível”, a expressão em destaque refere-se a:

a) “[...] fazer apenas as coisas que amamos e que nos dão prazer”.

b) “[...] (ser) minimamente responsável e maduro [...]”.

c) “[...] o tempo todo nos é dito [...]”.

d) “Parece-me que [...]”.

e) “[...] temos que fazer [...]”.

 

09. Assinale a alternativa que expressa o significado da palavra destacada na frase: “Comumente tais realidades diminuem nossa humanidade e geram uma espécie de dor sem sentido, daquelas que não precisaríamos passar”.

a) Característica do que não é comum ou normal, extraordinário.

b) Aquilo que é exclusivo, único, distinto, especial.

c) Maneira comum, ordinária, que apresenta frequência ou modo habitual.

d) Qualidade inferior, menor, insignificante.

e) Característica do que se realiza em comunhão, em conjunto com o outro.

 

Alcoolismo leva à perda da inteligência emocional

Falta da habilidade em reconhecer emoções impossibilita reação adequada do dependente de álcool ao seu ambiente

 

      “Anestesiar o coração” e “afogar as mágoas” são expressões que dizem mais do que se imagina quando o assunto é alcoolismo. Pesquisa de equipe da Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP confirma dificuldades de dependentes de álcool em reconhecer emoções.

      Responsável pelo estudo, a psicóloga Mariana Donadon avaliou vítimas de alcoolismo em tratamento ambulatorial no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e comparou com pessoas saudáveis. Após entrevistas e testes específicos, como uma tarefa computadorizada de reconhecimento de expressões faciais de emoção, verificou que, além de sofrerem mais com depressão e ansiedade, os dependentes de álcool apresentam maior déficit para reconhecer e julgar emoções.

      Medo, nojo, alegria, tristeza e surpresa. Os alcoolistas mostraram maiores prejuízos para julgar, reconhecer e reagir a todas as emoções estampadas nos rostos a eles apresentados. A habilidade de julgar e reconhecer emoções é uma capacidade inata dos seres humanos. Segundo a pesquisadora, é ela que “propicia interações sociais saudáveis e nos protege de perigos”. O rápido reconhecimento de uma face de raiva pode evitar uma briga, enquanto “reconhecer faces de medo ou tristeza ajuda-nos a mudar o que está ruim”, exemplifica Mariana.

      Resultado de efeitos neurotóxicos da bebida em circuitos neurais diversos, a falta dessa habilidade impossibilita reação adequada do dependente de álcool ao seu ambiente. “Os alcoólatras não possuem essa inteligência emocional e, num círculo vicioso, utilizam a bebida para fugir de situações problemas”, diz.

      Além da falta de inteligência emocional, a pesquisa mostra que os alcoolistas sofreram mais traumas emocionais precoces (na infância) que os não alcoolistas e apresentam personalidade desadaptativa – dificuldade de adaptação e interação com seu meio social.

      O estudo distingue ainda fatores que podem levar ao alcoolismo (vivências de traumas gerais e emocionais na infância e maiores dificuldades para reagir às emoções, principalmente as de surpresa) daqueles que protegem contra o transtorno (personalidade marcada pela conscienciosidade – atributos relacionados à capacidade crítica ou autocrítica como a da autoconsciência sobre os malefícios da bebida – e maior facilidade para reconhecer emoções, preferencialmente o medo e o nojo).

      Com a doença já instalada, Mariana afirma que “a primeira conduta terapêutica seria psicoterapia para abstinência do álcool”, já que o consumo crônico prejudica a inteligência emocional (percepção e julgamento das emoções), e para prevenção de recaídas. A participação dos grupos de autoajuda – como o AA – e em palestras informativas sobre os danos do consumo de álcool também estão entre as indicações da psicóloga.

      Saber que determinados traumas vividos na infância e dificuldades de reagir às emoções estão entre os riscos para o alcoolismo ajuda a estabelecer medidas preventivas. A pesquisadora defende maior divulgação (como palestras informativas) dos “dados sobre o consumo de álcool a longo prazo, que culmina com dependência e torna-se doença”. Entre os inúmeros prejuízos, essas ações preventivas devem enfocar “a perda da inteligência emocional, como descrita nesse estudo”.

 

10. A citação das expressões “Anestesiar o coração” e “afogar as mágoas” é um fenômeno de intertextualidade e conhecê-lo colabora na construção de sentidos no texto. A que tipo de intertextualidade se refere o uso dessas expressões?

a) Citação.

b) Paródia.

c) Paráfrase.

d) Epígrafe.

e) Alusão.

 

11. No trecho: “Além da falta de inteligência emocional, a pesquisa mostra que os alcoolistas sofreram mais traumas emocionais precoces [...]”, o termo em destaque é:

a) um pronome demonstrativo.

b) uma partícula expletiva.

c) um pronome relativo.

d) uma conjunção comparativa.

e) uma conjunção integrante.

 

12. Considerando o excerto “Além da falta de inteligência emocional, a pesquisa mostra que os alcoolistas sofreram mais traumas emocionais precoces (na infância) que os não alcoolistas e apresentam personalidade desadaptativa [...]”, assinale a alternativa correta para a descrição das relações estabelecidas pelas conjunções destacadas por aspas.

a) “Além da”, “e” (relação de adição); “mais [...] que” (relação de comparação).

b) “Além da”, “e” (relação de complementação); “mais [...] que” (relação de finalidade).

c) “Além da”, “e” (relação de conformidade); “mais [...] que” (relação de consequência).

d) “Além da”, “e” (relação de condicionalidade); “mais [...] que” (relação de temporalidade).

e) “Além da”, “e” (relação de alternância); “mais [...] que” (relação de oposição).

 

13. Na oração “Com a doença já instalada [...]”, doença é hiperônimo da palavra/ expressão hipônima:

a) traumas emocionais precoces.

b) alcoolismo.

c) ansiedade.

d) depressão.

e) perda de inteligência emocional.

 

14. A qual regra de acentuação gráfica obedecem as palavras álcool e alcoólatra?

a) “Álcool” é uma paroxítona terminada em “l” e acentuada assim como "difícil".

b) “Álcool” e “alcoólatra” são acentuadas porque são proparoxítonas.

c) “Alcoólatra” recebe acento grave porque todas paroxítonas são acentuadas.

d) “Álcool” é paroxítona terminada em “l” e “alcoólatra” é proparoxítona.

e) “Álcool” e “alcoólatra” são acentuadas porque são paroxítonas.

 

15. "Os alcoolistas mostraram maiores prejuízos para julgar, reconhecer e reagir a todas as emoções estampadas nos rostos a eles apresentados.". O modo como o substantivo alcoolista indica o gênero o classifica como substantivo:

a) uniforme.

b) biforme.

c) uniforme comum de dois.

d) biforme epiceno.

e) uniforme sobrecomum.

 

16. Em "A condição socioeconômica está associada ao nível de atividade física das pessoas [...]. Pesquisa feita pela USP, que entrevistou moradores do distrito de Ermelino Matarazzo, região de baixo nível socioeconômico da zona leste de São Paulo, propõe ações educativas e de prática de exercícios físicos para modificar este quadro.", qual é a função argumentativa da expressão “este quadro”?

a) Recuperar a Pesquisa feita pela USP com Moradores de Ermelino Matarazzo citada no período anterior.

b) Resumir o que foi mencionado, fechando o tópico e sinalizando o tópico seguinte.

c) Substituir os dados apresentados pela Pesquisa feita pela USP por seu sinônimo.

d) Repetir o que foi dito nos períodos anteriores por meio de paráfrase.

e) Antecipar os dados das pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde e pelo Gepaf, da USP.

 

17. Com base na leitura que você realizou do texto e do conhecimento que você tem sobre gêneros textuais, analise as proposições a seguir e assinale a alternativa que aponta aquelas que explicam corretamente porque se trata de um texto jornalístico.

I. Foi publicado no Jornal da USP, portanto se trata de um suporte jornalístico.

II. O conteúdo é do entretenimento e visa distrair os leitores.

III. O portal é mantido por jornalistas.

IV. O tema tratado é um conteúdo noticioso, de interesse do público-alvo da Universidade.

a) Apenas I, II e III.

b) Apenas I, II e IV.

c) Apenas I, III e IV

d) Apenas II, III e IV.

e) I, II, III e IV.

 

17. Em "[...] recebeu material educativo impresso, além de mensagens semanais de incentivo (a) à (a) prática regular de atividades físicas e de vivências [...]" utiliza-se a crase porque “prática” se trata de uma palavra feminina determinada pelo artigo feminino "a" e a regência nominal de “incentivo” exige o uso da preposição "a". Assinale a alternativa que apresenta outro caso no qual se deve utilizar acento indicativo de crase.

a) Antes de palavras masculinas.

b) Antes do artigo indefinido feminino.

c) Diante de numerais com referência a horas.

d) Antes de verbos.

e) Antes de pronome de tratamento.

 

18. "A condição socioeconômica está associada ao nível de atividade física das pessoas, ou seja, o quanto elas se exercitam em seu tempo livre, em casa, no trabalho ou como forma de deslocamento.". Do ponto de vista da coesão, a expressão “ou seja” opera como um conector cuja função é promover sequencialização do texto. Que tipo específico de relação esse conectivo estabelece?

a) Estabelece uma relação de explicação do segmento "nível atividade física das pessoas".

b) Estabelece uma relação de complementação do segmento "nível atividade física das pessoas".

c) Estabelece uma relação de temporalidade a partir da ação de se exercitar em "tempo livre, em casa, no trabalho".

d) Estabelece uma relação de comparação entre "o quanto elas se exercitam" e "como forma de deslocamento".

e) Estabelece uma relação de alternância em "no trabalho ou como forma de deslocamento".

 

19. Em relação ao trecho: "Os mais pobres se exercitam menos em seu tempo livre e executam mais tarefas ocupacionais, como trabalhos domésticos, levantamento de cargas e deslocamento.", analise as flexões dos verbos grifados e assinale a alternativa que corretamente os descreve.

a) Os dois verbos são de 1ª conjugação, estão no presente do modo indicativo e na 3ª pessoa do plural; o primeiro na voz ativa e o segundo na voz reflexiva.

b) Os dois verbos são de 1ª conjugação, estão no presente do modo subjuntivo e na 3ª pessoa do plural; o primeiro na voz reflexiva e o segundo na voz ativa.

c) Os dois verbos são de 1ª conjugação, estão no presente do modo indicativo e na 2ª pessoa do plural; o primeiro na voz reflexiva e o segundo na voz ativa.

d) Os dois verbos são de 2ª conjugação, estão no presente do modo indicativo e na 3ª pessoa do plural; o primeiro na voz reflexiva e o segundo na voz ativa.

e) Os dois verbos são de 1ª conjugação, estão no presente do modo indicativo e na 3ª pessoa do plural; o primeiro na voz reflexiva e o segundo na voz ativa.

 

20. Assinale a alternativa correta em relação à regra de acentuação gráfica correspondente ao termo destacado por aspas.

a) "Exercício" é acentuada porque é oxítona e ditongo decrescente.

Eventualmente / acidentalmente è proparoxítona

b) "Inquérito" é paroxítona e todas são acentuadas.

c) “Nível” é acentuada porque é paroxítona terminada em “l”.

d) "Saúde" em que o "u" é acentuado para demonstrar o ditongo.

e) "Propôs" é proparoxítona terminada em "o" seguida de "s".

 

21. Sobre os adjuntos adverbiais que aparecem no texto, assinale a alternativa correta.

a) Em “Nos tempos de hoje, dentro de um espectro social muito amplo e profundo [...]”, o adjunto adverbial destacado está isolado por vírgula, uma vez que é uma marca de tempo que não se encontra na ordem direta da frase.

b) Em “Este estilo de vida, nos dias comuns [...]”, o adjunto adverbial destacado tem função de explicitar a opinião do autor em relação ao tema abordado.

c) Em “Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial [...]”, o adjunto destacado evidencia um advérbio de companhia.

d) Em “[...] surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo [...]”, o termo destacado é considerado um advérbio de frequência.

e) Em “Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico [...]”, o termo destacado é um advérbio e poderia ser substituído por “bastante”.

 

22. Em relação à função dos vocábulos no texto, assinale a alternativa correta.

a) Em “– talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo –”, a palavra destacada é uma conjunção coordenativa com função de adicionar algo.

b) Em “[...] todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse.”, a palavra destacada é uma preposição com função de introduzir uma comparação.

c) Em “Mas, carinho de filho não se compra [...]”, o termo destacado é uma conjunção adverbial concessiva, com a função de contrariar o que foi explicitado anteriormente no texto.

d) Em “– e é para isso que se prestam as racionalizações –”, a conjunção destacada expressa sentido de direção.

e) Em “As pessoas se enxergam como recursos ou clientes.”, a palavra destacada torna os vocábulos “recursos” e “clientes” termos excludentes e contrários.

Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI

 

      Nestas últimas décadas, surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões.

                              Separação e responsabilidade

Nos tempos de hoje, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de “pais órfãos de filhos”. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança, mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – da crença de que seus pais se bastam.

Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a “presença a troco de nada, só para ficar junto”, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhamento de valores e de interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que “não querem incomodar ninguém”, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da “falta de tempo” torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.

 

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz

 

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. Para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bem-vindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas, as gerações em conflito se infringem. [...]. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de autorrevelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? 

O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.

23. Em relação às significações das palavras no texto e às classificações das classes gramaticais, assinale a alternativa com erro de interpretação.

a) “primado” (3º §) é um substantivo e significa “aquilo que excede em qualidade”.

b) “longevo” (4º §) é um adjetivo e significa “de idade avançada”.

c) “quiçá” (3º §) é um advérbio e significa “aquilo que pode ou não acontecer, talvez”.

d) “fugaz” (3º §) é um adjetivo e significa “aquilo que é passageiro, efêmero, acaba com rapidez”.

e) “sobrevieram (sobrevir)” (4º §) é um verbo e significa “aquilo que ocorre imediatamente após outra coisa”.

 

24. Sobre a colocação pronominal dos trechos a seguir, assinale a alternativa correta.

a) Em “Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo [...]”, o pronome oblíquo átono destacado poderia ser utilizado, segundo a norma gramatical, também antes do verbo “Irritam”.

b) Em “[...] e suas dificuldades de se organizar no tempo [...]”, o pronome destacado também poderia ser colocado na ênclise do verbo organizar, uma vez que o verbo está no infinitivo e é precedido de preposição.

c) Em “Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira.”, o pronome “se” está proclítico devido à presença do sujeito explícito “Pais órfãos”.

d) Em “Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial [...]”, o pronome destacado tem colocação facultativa, podendo ocorrer tanto a ênclise quanto a próclise.

e) Em “As pessoas se enxergam como recursos ou clientes.”, o pronome é obrigatoriamente proclítico, o que nos permite afirmar que a próclise seria impossível nesse caso.

 

25. Em relação à regência verbal e nominal, assinale a alternativa correta.

a) Em “O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional [...]”, o pronome destacado funciona como um objeto indireto, que é regido pelo verbo “asseguraria”.

b) Em “É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa.”, as duas preposições destacadas são utilizadas devido à regência dos verbos que as antecedem.

c) Em “Este estilo de vida, nos dias comuns, [...] resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades [...]”, a preposição destacada poderia ser substituída por “em” sem ocasionar uma mudança de sentido.

d) Em “[...] como se ninguém mais precisasse de ninguém.”, o verbo “precisasse” poderia ter sua regência alterada, tornando-se um verbo transitivo direto, com a retirada da preposição “de”, sem mudar o sentido da sentença.

e) Em “Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos [...]”, o verbo destacado é bitransitivo, regendo dois complementos distintos.